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sábado, 18 de junho de 2011

LIÇÃO 12 - A LUTA CONTRA OS PODERES DAS TREVAS

Igreja Evangélica Assembléia de Deus
Av. Brasil, 740 – Juiz de Fora - MG
Elaboração da Aula para os Professores da Escola Dominical
Revista: Os Desafios da Igreja
Profs. Dc João Paulo Cruz - Classe Bereanos e Magda Narciso Leite – Classe Sara

Texto Áureo: “As armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas anulando sofismas” (2 Co 10.4).

ARC: “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas”.

Este versículo está ligado especialmente ao versículo 3, anterior ao mesmo, e ao versículo 5 em sua seqüência. O apóstolo Paulo inicialmente expõe que, embora vivendo em um corpo de carne, não travava batalhas cristãs, segundo os métodos humanos, mas sim segundo aqueles que encontram apoio no poder de Deus. Assim, ele mostra que armas carnais e humanas tais como o egocentrismo, a habilidade, a riqueza, a eloqüência, o poder de persuasão, a influência, a esperteza etc..., são em si mesmas inadequadas para destruir as fortalezas. O versículo 5 revela o significado das “fortalezas” mencionadas no versículo 4. Estas correspondem aos conselhos e raciocínios arrogantes dos homens em suas argumentações contrárias à palavra de Deus. As armas poderosas em Deus para destruição de tais fortalezas, dos conselhos e altivez que se levantam contra o conhecimento de Deus, são aquelas que provêm de Deus, tais como oração, fidelidade incondicional à Deus e a sua Palavra, humildade, compromisso com a verdade etc... É através destas armas que o apóstolo se propõe a levar “cativo todo entendimento à obediência de Cristo” (2 Co 10.5).
           
Verdade Aplicada: Vivamos com lucidez em Cristo Jesus, porque o mundo inteiro está no maligno.

Objetivos da Lição:

·   Destacar os poderes das trevas como realidade perniciosa contra os seres humanos.
·   Conscientizar que os crentes deverão viver em vigilância máxima e orar sem cessar.
·   Mostrar a armadura de Deus como conjunto de armas ofensivas e defensivas para vencer tudo.

Textos de Referência: Ef 6.13-18

Introdução – A luta contra os poderes das trevas é algo ininterrupto. Todo crente precisa saber como proceder diante das ofensivas de satanás. Ele, normalmente, age de forma sagaz, com artimanhas secretas. Quando o crente negligente percebe, já está enrolado até o pescoço. E não é de se admirar, pois o próprio satanás se transforma em anjo de luz (2 Co 11.13-15).

2 Co 11.14: “E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz”.

1. Contra as astutas ciladas do diabo – Sem nenhum estardalhaço nem tocando sirene, o inimigo trabalha de forma disfarçada para ninguém perceber que é ele. Aliás, em muitos casos, só depois do estrago (alguns irreversíveis), é que se descobre que foi o diabo.

Observe os seguintes versículos que mostram a forma sigilosa de ação do inimigo:

1 Cr 21.1: “Então Satanás se levantou contra Israel, e incitou Davi a numerar a Israel”.

Jó 1.6,7: “E num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles. Então o Senhor disse a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao Senhor, e disse: De rodear a terra, e passear por ela”.

Zc 3.1: “E ele mostrou-me o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do anjo do Senhor, e Satanás estava à sua mão direita, para se lhe opor”.

Mt 16.22,23: “E Pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso. Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens”.

Lc 22.31-34: “Disse também o Senhor: Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos. E ele lhe disse: Senhor, estou pronto a ir contigo até à prisão e à morte. Mas ele disse: Digo-te, Pedro, que não cantará hoje o galo antes que três vezes negues que me conheces”.

1.1 O diabo lança dardos inflamados – O adversário não se cansa, trabalha procurando a quem possa tragar (1 Pe 5.8). As forças espirituais do mal agem sem cessar. Não vence pela força, mas com astúcia e pela insistência.

Em Ef 6.16, quando Paulo lista as partes da armadura de Deus, ele fala do escudo da fé, com o qual o crente pode apagar todos os dardos inflamados do maligno. Paulo traz neste versículo uma analogia aos dardos inflamados usados em campos de batalha. O que eram esses dardos inflamados? Eram estopas embebidas em alguma substância inflamável, que eram acesas e lançadas em flechas contra o adversário. Havia naquele tempo escudos muito frágeis feitos de madeira. Os inimigos lançavam esses "dardos inflamados" para queimar o escudo e tornar vulnerável o corpo do soldado para ser atin­gido. Assim é esta uma das formas de ação do maligno. Ele tenta atingir o crente atacando-o com dúvidas em meio a situações que lhe são contrárias. É por meio da firme confiança no Senhor e na sua soberania que o crente pode apagar todos os dados inflamados do maligno ainda que as circunstâncias lhe sejam adversas.

Sl 56.3,4: “Em qualquer tempo em que eu temer, confiarei em ti. Em Deus louvarei a sua palavra, em Deus pus a minha confiança; não temerei o que me possa fazer a carne”.

Sl 71.1-5: “Em ti, Senhor, confio; nunca seja eu confundido. Livra-me na tua justiça, e faze-me escapar; inclina os teus ouvidos para mim, e salva-me. Sê tu a minha habitação forte, à qual possa recorrer continuamente. Deste um mandamento que me salva, pois tu és a minha rocha e a minha fortaleza. Livra-me, meu Deus, das mãos do ímpio, das mãos do homem injusto e cruel. Pois tu és a minha esperança, Senhor Deus; tu és a minha confiança desde a minha mocidade”.

Fp 1.20: “Segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte”.

1 Jo 5.14: “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve”.

1.2 São tentações em todas as áreas das nossas vidas – Por exemplo: Dinheiro, sexo, fama, “status”, vícios, relacionamentos, embaraços, frieza espiritual, falsa religião sem deixar a igreja. Os demônios aliciam e persuadem pessoas em áreas que lhes dão brechas onde faltam peças da armadura de Deus. Exemplos: Mentira no lugar da verdade; injustiça em vez de justiça; dúvidas e questionamentos substituindo a verdadeira fé.

Neste ponto o comentarista fala das diversas tentações às quais os crentes podem estar sujeitos em diversas áreas da sua vida. O ponto fundamental, no entanto é aquele relacionado às brechas. O diabo e seus demônios só encontrarão espaço na vida do cristão se este der lugar à ação da carne. Esta foi a situação de Judas, já que ele não lutando contra a sua carne, o que é evidenciado por suas atitudes, acabou deixando espaço para satanás entrar em seu coração.

Jo 12.4-6: “Então, um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, filho de Simão, o que havia de traí-lo, disse: Por que não se vendeu este ungüento por trezentos dinheiros e não se deu aos pobres? Ora, ele disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava”.

Lc 22.1-6: “Estava, pois, perto a festa dos ázimos, chamada a páscoa. E os principais dos sacerdotes, e os escribas, andavam procurando como o matariam; porque temiam o povo. Entrou, porém, Satanás em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, o qual era do número dos doze. E foi, e falou com os principais dos sacerdotes, e com os capitães, de como lho entregaria; os quais se alegraram, e convieram em lhe dar dinheiro. E ele concordou; e buscava oportunidade para lho entregar sem alvoroço”.

1.3 A origem dos nossos pecados está no diabo – Ele é o pai do pecado, pois tudo começou com a rebelião dos anjos contra Deus. Depois o inimigo entrou no jardim do Éden e derrubou Adão e Eva. De lá para cá, ele sempre procura colocar os crentes contra Deus.

As passagens bíblicas de Is 14.12-14 e Ez 28.12-17 ilustram a origem do pecado no céu. Estes textos estão relacionados à queda do “querubim ungido” que tendo sido criado com “livre arbitro”, escolheu rebelar-se contra Deus, sendo por isso, ele lançado fora da presença de Deus. Isaías 14 deixa claro que a razão que levou o “querubim” a rebelar-se contra Deus foi o fato dele desejar usurpar a glória que pertence somente a Deus. Tem-se assim, o começo do pecado no universo. Pode-se dizer que o diabo é o pai do pecado, porque o pecado foi originado por ele. Com relação aos homens, apesar de ter sido o diabo que incitou a raça humana ao pecado, este somente passou a fazer parte da história do mundo, por causa da escolha do homem de desobedecer a Deus. A partir de então, todos os homens passam a nascer com a inclinação para o pecado, e diante disto, o diabo aproveita-se das oportunidades para conduzir cada vez mais o homem ao pecado e também, os crentes à rebelião contra Deus.

Jo 8.44: “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira”.

Gn 3.17: “E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida”.

Rm 5.12: “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram”.

Sl 51.5: “Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe”.

Sl 58.3: “Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, proferindo mentiras”.

Rm 8.20: “Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou”.

2. A luta não é contra a carne e o sangue – Muitos estão maltratando pessoas, ofendendo irmãos e destruindo o corpo, pensando que a nossa luta é contra seres humanos. As pessoas são boas, a influência de satanás e o pecado é que as fazem ruins.

Em Ef 6.12, o apóstolo Paulo fala da realidade da batalha espiritual, no qual todos os crentes estão envolvidos, tendo estes que lutar contra um reino hierarquicamente muito bem estabelecido com o propósito de influenciar os homens em suas ações. Esta influência, no entanto não é única ou suficiente para justificar as atitudes dos homens. Em Lm 3.39 o profeta Jeremias, por exemplo, diz: “De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados”. Assim, a Bíblia deixa claro a responsabilidade do homem quanto às suas próprias ações. Com relação ao comentário de que as pessoas são boas, é importante esclarecer que de fato, tendo o homem sido criado à imagem e semelhança de Deus, ele foi dotado de todos os atributos que o caracterizariam como sendo uma criatura boa. O pecado, porém manchou o homem em sua imagem e semelhança de Deus, e desde então a inclinação do homem é para o mal, conforme mostra, por exemplo, Gn 6.5 ou 8.21. Tal fato é também claramente demonstrado na resposta de Jesus ao jovem rico, onde Jesus mostra a condição de todos os homens diante de Deus quando Ele diz: “Ninguém há bom, senão um, que é Deus”.

Gn 6.5: “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente”.

Gn 8.21: “E o Senhor cheirou o suave cheiro e disse o Senhor em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem, porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice; nem tornarei mais a ferir todo vivente, como fiz”.

Mc 10.17,18: “E, pondo-se a caminho, correu para ele um homem, o qual se ajoelhou diante dele, e lhe perguntou: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna? E Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom senão um, que é Deus”.

Sl 14.2,3: “O Senhor olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um”.

Is 64.6: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam”.

2.1 Contra os principados e as potestades do mal – São seres espirituais do mal de ordens superiores, especializados e revestidos de autoridade para o mal. Hierarquicamente eles estão organizados. Por vivermos numa batalha espiritual constante, não podemos vacilar.

2.2 Contra os poderes deste mundo tenebroso – São muitos os dominadores do mundo das trevas. “Esses poderes são nossos adversários, porquanto têm fácil acesso a esta terra, motivo pelo qual são chamados de ‘dominadores deste mundo’, visto que seu poder se estende ao ‘kosmos’, à esfera da existência humana.

2.3 Contra as forças espirituais da maldade nas regiões celestes – São seres espirituais malignos, forças do mal, opositores ao bem e à verdade. As regiões celestes, às vezes, são invadidas para operações destas forças. Essas regiões podem ser espaços onde Deus opera, onde estão os anjos bons e os seres humanos remidos (Ef 1.3; 1.20; 2.6; 3.10). As infiltrações dizem que ainda não estamos a salvo completamente, mas só nas mansões celestiais estaremos seguros totalmente, livres de perigos.

O ponto 2.1, 2.2 e 2.3 fala do reino hierarquicamente bem estabelecido de satanás contra o qual os crentes devem lutar em sua oposição em relação ao mal. Depois de sua queda, o “querubim ungido”, conforme descrito em Ez 28.16, foi lançado fora da presença de Deus “Na multiplicação do teu comércio se encheu o teu interior de violência, e pecaste; pelo que te lançarei, profanado, fora do monte de Deus e te farei perecer, ó querubim protetor, entre pedras afogueadas”, passando o mesmo a ser chamado, na Bíblia, de satanás, diabo, dragão, serpente, adversário ou maligno. Juntamente com ele, um terço das criaturas celestes corrompidas por sua astúcia e que participaram do mesmo juízo foram também banidos da presença de Deus (ver Ap 12.4). Uma parte destas criaturas celestes foi lançada no inferno, conforme descrito em 2 Pe 2.4 “Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o Juízo” e em Jd 6 “E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande Dia”, outra parte, porém destes anjos caídos vive nos lugares celestiais sob a liderança do líder do reino das trevas, satanás, o qual é chamado em Ef 2.2 de “o príncipe das potestades do ar”. Conforme pode-se perceber pela descrição em Ef 2.2, satanás vive nos lugares celestiais, porém estes lugares, com certeza não é o mesmo onde vivem os anjos de Deus, “espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação” (Hb 1.14), mas provavelmente uma outra dimensão, já que satanás e seus anjos, conforme já citado anteriormente, foram lançados fora da presença de Deus. Sob a liderança de satanás se encontram anjos caídos de diferentes categorias e diferentes potências. Estes são listados por Paulo como sendo os principados, as potestades, os príncipes das trevas (ou poderes deste mundo tenebroso) e as hostes espirituais da maldade: “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Ef 6.12). A suposição é de que o termo principados se refira a ordens superiores que possuem autoridade sobre grandes regiões e sobre muitíssimos seres, já as potestades seriam governantes subordinados, e assim sucessivamente. Tais seres fazem guerra contra o bem e a verdade, podendo estes muitas vezes, tentarem-se opor até mesmo aos anjos de Deus nas regiões celestiais ou terrenas conforme pode ser visto em Dn 10.12,13,20 “Então me disse: Não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas palavras. Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia. E ele disse: Sabes por que eu vim a ti? Agora, pois, tornarei a pelejar contra o príncipe dos persas; e, saindo eu, eis que virá o príncipe da Grécia”; ou em Jd 9 “Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda” (Jd 9). O local de ação destes anjos caídos, além de ser os lugares celestiais, conforme já mencionado, é também nos filhos da desobediência (ver Ef 2.2), o que provavelmente explica a questão relacionada à possessão demoníaca. Também é importante esclarecer que apesar de satanás e seus anjos caídos possuírem algum tipo de autoridade sobre este mundo, esta é limitada, podendo os mesmos agirem somente até onde Deus permitir (ver Jó 1.12; 2.6, Mc 5.10-13). Entende-se a partir de Ap 12.7,8,12 que será por ocasião da grande tribulação que satanás e seus anjos serão expulsos das regiões celestiais, vindo então a serem precipitados na terra: “E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos; mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus. Por isso alegrai-vos, ó céus, e vós que neles habitais. Ai dos que habitam na terra e no mar; porque o diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo” (Ap 12.7,8,12). No período do Reino Milenar de Jesus Cristo, satanás será aprisionado e lançado no abismo por mil anos: “E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo, e uma grande cadeia na sua mão. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos. E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que não mais engane as nações, até que os mil anos se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco de tempo” (Ap 20.1-3). Após este período, ele será solto e sairá a enganar as nações, mas ao final, será lançado definitivamente no lago de fogo e enxofre: “E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre” (Ap 20.10). Em relação a propagação feita por alguns pregadores e escritores de que Jesus tomou as chaves da morte e do inferno das mãos de satanás, é importante deixar claro que Jesus tem as chaves da morte e do inferno (ver Ap 1.18) e que estas nunca foram tomadas de satanás, pois Deus sempre teve o domínio sobre todas as coisas, sendo que somente Ele é quem pode fazer, desde sempre, perecer a alma e o corpo no inferno (ver Mt 10.18; Is 8.13). Além disto, a vitória de Cristo foi consumada na cruz e não no inferno (ver Jo 19.3), tendo esta se dado por sua obediência a Deus até a morte e morte de cruz (ver Fp 2.8). Foi desta forma que Cristo triunfou sobre os principados e potestades e os expôs publicamente conforme fica claro em Cl 2.14,15: “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo”.  

3. Usando toda a armadura de Deus – Assim como as armas bélicas protegem o soldado comum, a armadura de Deus prepara o crente para enfrentar a batalha espiritual.

3.1 Todas as peças da armadura de Deus – Vestida a couraça da justiça, o cinto da verdade, calçados os pés com a preparação do evangelho da paz, o escudo da fé, capacete da salvação, a espada do Espírito que é a palavra de Deus, e a oração. Não confie em armadura própria, pois não terá eficácia contra o mundo espiritual da maldade.

Em Ef 6.10-18, Paulo fala da forma como cada crente deve conduzir-se diante da batalha espiritual da qual tem então consciência de fazer parte. A orientação dada por Paulo aos crentes de Éfeso deixa claro que o crente não está sozinho nesta batalha, caso contrário ele estaria em desvantagem, pois sua luta não é contra carne nem sangue (ou seja, pessoas visíveis e materialmente constituídas), mas sim contra o diabo, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade (ou seja, contra seres invisíveis e materialmente não constituídos) nos lugares celestiais (ver Ef 6.11,12). Diante disto, Paulo introduz este assunto apresentando em primeiro lugar Aquele a quem o crente tem como aliado (ou seja, o Senhor) instruindo-o a se fortalecer nEle, na força do seu poder e no revestimento de toda a armadura de Deus que se encontra à sua disposição. Nos versículos de Ef 6.13-18, Paulo descreve a armadura de Deus com a qual o crente pode se revestir para estar firme contra as astutas ciladas do diabo e resistir no dia mau e, havendo feito tudo permanecer firme (ver Ef 6.11,13). Considerando algumas partes da armadura vestida por um soldado romano e sua aplicação espiritual, os seguintes elementos são então identificados na descrição da armadura de Deus citada por Paulo.

·   O cinto da verdade, a couraça da justiça e o calçado da paz - Indicam que o crente vence a batalha quando, considerando-se incapaz de cumprir a justiça de Deus, ele toma para si a perfeição de Jesus em sua vida terrena (cf. Is 59.17). Revestido então da perfeição de Cristo, o crente resiste ao inimigo propondo-se a seguir os passos de Cristo, mantendo uma vida íntegra, justa, verdadeira e preparada para seguir o caminho da paz, tanto em seu relacionamento com Deus quanto em seu relacionamento com os homens. Segundo Adams (2003, p. 1267), o soldado romano usava sandálias com cravos e travas para que, mesmo em terrenos escorregadios pudesse manter-se firmemente e apoiado nos combates corpo a corpo. Pode-se dizer que assim deve ser também a questão relacionada a manter a paz nos relacionamentos humanos.
·   O escudo da fé, o capacete da salvação e a espada do Espírito - Indicam que o crente resiste ao inimigo tendo a certeza da obra de Deus que foi realizada na cruz em seu favor, dando-lhe garantia de uma eterna salvação. O escudo da fé fornece proteção contra os dardos inflamados do inimigo. Estes dardos incluem tentações, acusações, perseguições, calúnias, dúvidas etc... O capacete da salvação refere-se à certeza e segurança da salvação, e a espada do Espírito, ou seja, a palavra de Deus, é o argumento contra as astutas ciladas do inimigo. Esta conduz o crente à confiança na soberania e no poder de Deus, dando-lhe a certeza de que o Senhor seu Deus tem o controle de todas as coisas em suas mãos, mesmo estando o crente em tempos de dificuldades (cf. Mt 4.4,7,10).

3.2 Para que possais resistir no dia mau – O crente só vence estando preparado. O inimigo não cansa de investir diariamente contra os salvos. A luta do crente é constante. Sabemos que o mundo inteiro está no maligno (1 Jo 5.19). Não permita que os períodos da sua vida em que você enfrenta conflitos, façam com que você se acomode a uma falsa sensação de segurança (1 Pe 5.8).

1 Pe 5.8,9: “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo”.

Tg 4.7: “Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós”.

De acordo com os textos de 1 Pe 5.8,9 e Tg 4.7 uma das formas do crente vencer o diabo é oferecendo-lhe resistência.  Paulo escreve em 2 Co 2.11 acerca dos ardis de satanás que não devem ser desprezados, e ainda em 1 Co 10.12: “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe que não caia”. Infelizmente, muitos hoje têm utilizado os púlpitos ou outras situações para de forma insensata desafiar o inimigo. A Bíblia, no entanto mostra que o único que tem poder de confrontar as forças das trevas é Jesus e somente no nome dEle é que o domínio das trevas pode realmente ser vencido. Existem ainda aqueles que sob uma pretensa autoridade se arrogam até mesmo no direito de “pisar na cabeça do inimigo”, a Bíblia, porém mostra que esta prerrogativa pertence unicamente a Deus, é o que Paulo diz em Rm 16.20: “E o Deus de paz esmagará em breve satanás debaixo de vossos pés”. Estes textos são suficientes, portanto para mostrar aos crentes que a guerra espiritual não é uma brincadeira, e também que não é através de afrontas ao diabo e seus demônios que os crentes obterão a vitória, mas sim, através da sujeição a Deus, da vigilância, da sobriedade e da resistência, conforme também considera Adams (2003, p. 1264) no seguinte comentário descrito abaixo:

“A guerra espiritual de que participamos tem uma característica única. Não perseguimos o inimigo, nem adotamos ações de ataque contra ele (dessa forma, as principais armas do soldado romano, as lanças duplas, estão ausentes da relação de Paulo). Ao contrário disso, permanecemos firmes contra o inimigo. (6.11), defendemos nosso terreno (6.13) e continuamos firmes (6.14). Devemos manter uma posição firme, no ápice da montanha... e o inimigo deve-se cansar de seu constante ataque dirigido ao alto. A posição firme que Paulo tem em mente é que estamos sentados ao lado de Cristo no reino celestial (1.20; 2.6), onde Cristo está colocado muito acima de principado, e poder, e potestade, e domínio (1.21), tendo sujeitado todas as coisas a seus pés (1.22)”.

3.3 Após vencer é preciso permanecer inabalável – O crente precisa, após cada vitória, insistir, não retroceder, não escorregar, não cair por terra, ficar firme, sabendo que está em combate constante prosseguindo, perseverando, não desanimando e permanecendo vitorioso. Lutero, ao traduzir a Bíblia, foi obrigado a pensar profundamente sobre os desafios enfrentados pelos vários homens e mulheres da Bíblia, que se apoiaram em Deus em busca da força que os capacitou a permanecerem inabaláveis.

At 14.22: “Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus”.

1 Co 10.13: “Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar”.

Tg 1.12: “Bem-aventurado o homem que suporta a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam”.

4. Vigiando com toda perseverança e orando em todo o tempo – Sozinho não se vence a força das trevas, só buscando o poder de Deus e a ajuda do Espírito Santo. Não podemos confiar em nossas próprias forças nem usar nossas armaduras humanas.

Ef 6.10: “No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possai estar firmes contra as astutas ciladas do diabo”..

4.1 “Satanás treme quando vê o mais fraco santo de joelhos” – A oração transcede as fraquezas humanas e apela para o poder divino. Ela é poderosa para desfazer as obras de satanás. O Espírito ajuda as nossas fraquezas. Não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós, com gemidos inexprimíveis (Rm 8.26). Quer receber poder? “Muita oração, muito poder; pouca oração, pouco poder; nenhuma oração, nenhum poder”. Toda força do poder de Deus está à nossa disposição.

Rm 12.12: “Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração”.

Cl 4.2: “Perseverai em oração, velando nela com ação de graças”.

“A oração é sem sombra de duvida a mais alta elevada atividade da alma humana. O homem encontra no seu melhor e mais elevado estado quando, de joelhos fica face a face com Deus” [1]

A essência da oração é falar com Deus como você varia com um amigo querido, sem nenhum fingimento ou arrogância. Como a comunhão com Deus é plenamente necessária e a oração é o meio eficaz de se ter essa comunhão, o inimigo tenta constantemente disseminar enganos sobre o entendimento da oração e desvalorizar o compromisso em orar. A cada geração a oração vem sendo deixada de lado e sendo substituída por ações pragmáticas.  Essa “estratégia” coloca de lado a comunhão com Deus; a inversão de valores é tão grande que alguns se consideram com o direito de em suas orações fazerem exigências e reivindicações a Deus, como se pudesse forçar Deus a fazer alguma coisa. E ainda tem aqueles que tem a oração como ritual de rotina, mas na verdade a oração é um momento de dedicação a Deus, onde o crente fala com Ele e sai confortado com a sua presença e resposta a alma. Se você esta orando e Deus não lhe respondeu continue de joelhos e ore mais um pouco e fique  mais a sós com Deus.
Sobre a frase no sub-título, trata-se de um jargão muito utilizado para incentivar a prática da oração, porém sem consistência e sem fundamento se a disciplina na oração não for acompanhada de uma vida cujos frutos do Espírito são manifestados abundantemente.

4.2 Vigiando com toda a perseverança – A falta de vigilância põe tudo a perder. A perseverança aqui significa constância, firmeza, insistência, persistência. Evidentemente, a batalha é contínua, uma série interminável de conflitos. Por isso, a vigilância deve vir primeiro, não pode faltar (Mt 25.13; 26.41).

O sentido da palavra "vigiando" refere-se a não estar dormindo no campo de batalha (Ef 5.14). O lutador tem que vigiar, isto é, estar de olhos abertos e atentos para os eventuais ataques de surpresa do inimigo.

Mt 26.41: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca”.

4.3 Orando em todo o tempo – O crente precisa ser persistente na oração (1 Ts 5.17). Porém, não adianta orar muito e vigiar pouco, mas vigiar em qualquer ocasião, em todas as circunstâncias, nas diversas oportunidades. O crente precisa estar sempre com a sua mente pronta para orar e, principalmente, no Espírito, sob a direção de Deus. O espírito do crente fala com o Espírito de Deus e vice-versa (Rm 8.16). Orar sem jamais esmorecer é um pedido de Jesus (Lc 18.18). Não há tempo específico para oração individual, só para oração em conjunto se marca horário.

Lc 18.1: “E contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer”.

Ef 6.18: “Orando em todo tempo com toda oração e súplica no Espírito e vigiando nisso com toda perseverança e súplica por todos os santos”.

1 Ts 5.17: “Orai sem cessar”.

Referências Bibliográficas:
[1] Martin Lloyds-Jones, Studies in the Sermon on the mount, 2 vols, 1979, Grand Rapids: Eerdmans.
J. D. Douglas, O Novo Dicionário da Bíblia, 1995, Edições Vida Nova, São Paulo, SP.
Johnson, V.; Palma, A., Hernando, J.; Simmons, W.; Adams, J. W.; Demchuck, D.; Soderlund, S. K.; Glubish, B.; Gill, D. M.; Comentário Bíblico Pentecostal, 2003, 1a. Ed., CPAD, Rio de Janeiro, RJ.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

LIÇÃO 8 - FILIPE, UM OBREIRO VERSÁTIL

Igreja Evangélica Assembléia de Deus
Av. Brasil, 740 – Juiz de Fora - MG
Elaboração da Aula para os Professores da Escola Dominical
Revista: Atos dos Apóstolos
Prof. Evangelista Márcio do Livramento Leão – Congregação de Benfica

O termo versátil possui dois significados:

·  Vário (instável) ou volúvel (inconstante, sem opinião).
·  Que tem qualidades várias num determinado ramo de atividades.

Nesse caso, preferimos adotar o segundo significado para o título acima, em consonância com a proposta do comentarista da revista.

Texto Áureo: At 8.35

Ver Lc 24.27 (Começando por Moisés e por todos os profetas, Jesus explicou aos dois discípulos no caminho de Emaús, o plano de Deus através das Escrituras).
Ver At 18.28 (muitos dos cristãos em Corinto eram gentios e oponentes fáceis de serem vencidos por quem conhece a fundo as Escrituras hebraicas. No entanto, os argumentos desses judeus eram facilmente refutados por Apolo, um judeu cristão que era eloqüente e poderoso na Palavra, At. 18.24).

Verdade Aplicada

As qualidades de um obreiro que edificam a igreja, citadas pelo autor, certamente são os dons que são dados por Deus aos crentes:

1 Co 14.12: "Assim também vós, como desejais dons espirituais, procurai abundar neles, para edificação da igreja".

1 Co 1.7: "De maneira que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo".

Tg 1.17: "Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação".

1 Pe 4.10: "Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus".

Objetivos da Lição

No terceiro objetivo temos de observar que a evangelização é uma das várias formas de demonstrarmos nosso amor por Jesus. Dentre outras, devemos compartilhar dos sofrimentos de Cristo:

2 Co 4.11: "E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal".

Glossário

Dentre as palavras apresentadas, poderíamos complementar com:

Candace: Título que quer dizer “rainha”, assim como “faraó” quer dizer “rei” (At 8.27).
Eunuco: Homem castrado que servia de guarda das mulheres do seu dono (Et 2.3). Eram também chamados de eunucos alguns altos funcionários de confiança dos reis, quer esses funcionários fossem castrados ou não (At 8.27).
Gentio: O que não é israelita (Is 42.1,6).
Prosélito: Gentio que segue a religião judaica (Mt 23.15; At 13.43).
Samaritano: Pessoa nascida em SAMARIA (Região central da Terra Santa, abrangendo as tribos de Efraim e Manassés do Oeste. Ao norte ficava a Galiléia; a leste, o Jordão; ao sul, a Judéia; e, a oeste, o Mediterrâneo - 2 Rs 17.24-26; At 1.8). Israelitas e samaritanos não se davam por causa de diferenças de raça, religião e costumes (2 Rs 17.29; Jo 4.9).

Texto de Referência

A versão apresentada é a Almeida Revista e Corrigida (ARC).

Introdução

Judeu Helênico: Judeu que falava grego, nascidos ou criados fora da terra de Israel (At 6.1, RC; RA, helenista).
Eusébio de Cesaréia: Bispo de Cesaréia, nasceu em cerca de 270, fale­ceu no ano 339/340. Não se sabe onde nasceu, mas passou a maior e mais impor­tante parte de sua vida em Cesaréia, na época a maior cidade romana da Palestina. Era de família desconhecida mas certa­mente cristã, como indica seu nome.
Curiosamente, Eusébio também cita que Filipe, o apóstolo, juntamente com suas filhas, foi sepultado na mesma cidade em que o evangelista, conforme transcrito abaixo:

"Porque também na Ásia repousam grandes luminares que ressuscitarão no último dia da vinda do Senhor, quando virá dos céus com glória em busca de todos os santos: Filipe, um dos doze apóstolos, que repou­sa em Hierápolis com duas filhas suas que chegaram virgens à velhice, e a outra filha, que depois de viver no Espírito Santo, descansa em Éfeso...”.

A cidade antiga de Hierápolis, localizada na muçulmana Turquia, ainda existe e é "colada" à Pamukkale, ambas são tombadas como Patrimônio Histórico Mundial pela Unesco. Hierápolis está situada a 376 metros de altura, no alto de uma colina com uma bela vista da região.

1. Filipe em Jerusalém

Gregos (ou "helenistas") eram judeus de fala grega, principalmente das terras da Dispersão (nomes dados ao conjunto dos judeus que viviam em vários países, fora da Terra Santa, eram mais numerosos do que a população que vivia em Israel). Tiago os cita em sua carta (Tg. 1.1); os hebreus eram judeus de fala aramaica, muitos dos quais, como os apóstolos, eram naturais da Palestina.

1.1 Indicado para ser um dos sete

Não podemos especular nada acerca desses sete homens, excetuan­do-se Estevão, o qual vemos registrado como um homem cheio de fé e do Espírito Santo (At. 6.5). A fé que Estevão possuía não era diferente em essência da fé comum a todos os crentes, porém era excepcional como esse homem estava disposto a confiar em Cristo, crer com simplicidade em Sua palavra, e arriscar tudo por amor de Seu Senhor, como bem estudamos na lição 7. Segundo Antônio Gilberto (BEP), a separação desses sete homens importava, principalmente, em duas coisas: 1) era testemunho público da igreja que esses homens tinham antecedentes de perseverança na piedade e na obediênca à direção do Espírito Santo (1 Tm. 3.1-10); 2) era um ato de separação daqueles homens à obra de Deus e um testemunho da sua disposição em aceitar a responsabilidade da chamada divina.

1.2 Suas virtudes precederam a sua escolha

Imposição de mãos. No NT a imposição de mãos era usada de cinco maneiras:
1) em relação a milagres de curas (At 28.8; Mt 9.18; Mc 5.23; Mc 6.5); 2) ao abençoar outras pessoas (Mt 19.13-15); 3) em relação ao batismo no Espírito Santo (At 8.17-19; At 19.6); 4) na comissão para uma obra específica (At 6.6; At 13.3); e  5) na concessão de dons espirituais através dos presbíteros (1 Tm 4.14). Como um dos meios através do qual Deus transmite dons e bênçãos às pessoas, a imposição de mãos veio a ser uma doutrina fundamental na igreja primitiva (Hb 6.2). Não pode ser dissociada da oração (At 6.6), pois a oração indica que os dons da graça, cura ou batismo no Espírito Santo procede de Deus e não do ser humano.

1.3 Tinha iniciativa para falar de Jesus

Mais do que oposição, que se resume em contrariedade, obstáculo; o que se sucedia era uma grande perseguição dos crentes em Jerusalém. Todavia, havia um propósito permissivo divino que se constituía na pregação da palavra na Judéia, Samaria e até os confins da terra. A perseguição faz parte daquele que quer viver piamente na Palavra de Deus. Mt 5.10; At.8.1; Rm. 8.35; 2 Tm. 3.12.

2.  Filipe em Samaria

At 1.8: "Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra".

        Pela referência bíblica destacada, melhor seria postar o comentário obedecendo à seqüência dada acima.

2.1 Evangelista de multidões

Quem está em Cristo Jesus tem confiança e ousadia para propagar o evangelho da salvação.  At 4.13; 4.29; 4.31; 2 Co 3.12; Ef 3.12.
Os samaritanos ocupavam a região central da Palestina, entre a Judéia e a Galiléia. Eram descendentes dos povos orientais importados pelos assírios (II RS 17.24-29) depois da destruição do reino israelita do norte (722 a.C.), que se misturaram com os nativos israelitas. A quase dez anos, um estudo produzido pela comunidade samaritana estima o seu número em quase 700 pessoas, das quais metade vive em Israel e outra em Nablus na Cisjordânia.

2.2 Poderoso em sinais (quem era poderoso...?) - 1 Pe 4.11; 5.11; Jd 1.25; Ap 5.13.

Filipe enfrentou uma batalha espiritual, cuja vitória só é possível usando os recursos de Deus e as armaduras celestiais. Ef 6.12; Rm 8.38; Sl 140.7.
No final desse tópico a referência bíblica estaria incorreta, quando o certo seria: At. 8.7-8.

2.3 Continuou submisso a Jerusalém

Por entendermos ser crítico o conteúdo do tópico apresentado pelo comentarista, sugerimos o que se segue: De Jerusalém, quando os apóstolos tomaram conhecimento do que acontecera em Samaria, por meio de Filipe, enviaram Pedro e João, os quais chegaram e oraram com imposição de mãos para que os salvos fossem batizados com o Espírito Santo (ver At 8.14-17). Com seu exemplo evangelizador influenciou aos próprios apóstolos a anunciarem o evangelho em muitas aldeias dos samaritanos ao voltarem para Jerusalém (ver At 8.25).  Essa última referência estaria errada no texto apresentado na revista.
Com relação a questão do batismo em At 8.12,13 está descrito que aqueles que criam eram batizados. O batismo que eles ainda não haviam recebido era o batismo no Espírito Santo conforme está descrito em At 8.15-17.

3.  Filipe em Gaza

A província de Samaria, nos tempos do N.T, estava situada entre a Judéia e a Galiléia (Lc. 17.11). Foi atravessada por Jesus Cristo (Jo 4.4-43), e recebeu a luz do Evangelho (At. 8.5-25). A distância entre Samaria e Jerusalém era de aproximadamente 60 km.

3.1 Um anjo manda Filipe para Gaza (At 8.26-29)

Seria “um” ou “o” anjo do Senhor?  Vejamos as diferentes traduções:

ARA: 8.26: “Um anjo do Senhor falou a Filipe...dizendo: Dispõe-te e vai para o lado do Sul, no caminho...”
ARC: 8.26: “E o anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Levanta-te e vai para a banda do Sul, ao caminho...”
NTLH: 8.26: “Um anjo do Senhor disse a Filipe: — Apronte-se e vá para o Sul, pelo caminho que...”
ACF: 8.26: “E o anjo do SENHOR falou a Filipe, dizendo: Levanta-te, e vai para o lado do sul, ao caminho...”

Segundo a Bíblia de Estudos Pentecostal, na página 386, no contexto do livro de Jz cap. 2, o autor da edição brasileira, o mestre Antônio Gilberto, apresenta um proveitoso estudo sobre Os Anjos, e O Anjo do Senhor, conforme parcialmente transcrevemos abaixo:

·   Anjos. A palavra "anjo" (hb. malak; gr. angelos) significa "mensageiro". Os anjos são men­sageiros ou servidores celestiais de Deus (Hb 1.13,14), criados por Deus antes de existir a terra (Jó 38.4-7; SI 148.2,5; CI 1.16).
·   Os anjos executam numerosas atividades na terra, cumprindo ordens de Deus. Desempe­nharam uma elevada missão ao revelarem a lei de Deus a Moisés (At 7.38; Gl 3.l9; Hb 2.2). Seus deveres relacionam-se principalmente com a obra redentora de Cristo (Mt 1.20,24; 2.13; 28.2; At 1.10; Ap 14.6,7). Regozijam-se por um só pecador que se arrepende (Lc 15.10), servem em prol do povo de Deus (Dn 3.25; 6.22; Mt 18.10; Hb 1.14), observam o comportamento da congregação dos cristãos (1 Co 11.10; Ef 3.10; 1 Tm 5.21), são portadores de mensagens de. Deus (Zc 1.14-17; At 10.1-8; 27.23,24), trazem respostas às orações (Dn 9.21-23; At 10.4); às vezes, ajudam a interpretar sonhos e visões proféticas (Dn 7.15,16); fortalecem o povo de Deus nas provações (Mt 4.11; Lc 22.43), protegem os santos que temem a Deus e se afastam do mal (SI 34.7; 91.11; Dn 6.22; At 12.7-10), castigam os inimigos de Deus (2 Rs 19.35; At 12.23; Ap 14.17-16.21), lutam contra as forças demoníacas (Ap 12.7-9) e conduzem os salvos ao céu (Lc 16.22).
·   O Anjo do SENHOR realizou várias tarefas semelhantes às dos anjos, em geral. Às vezes, simplesmente trazia mensagens do Senhor ao seu povo (Gn 22.15-18; 31.11-13; Mt 1.20). Noutras ocasiões, Deus enviava o seu anjo para suprir as necessidades dos seus (1 Rs 19.5-7), para protegê-los do perigo (Êx 14.19; 23.20; Dn 6.22) e, ocasionalmente, destruir os seus inimigos (Ex 23.23; 2 Rs 19.34,35; Is 63.9). Quando o próprio povo de Deus rebelava-se e pecava grandemente, este Anjo podia ser usado para destruí-los (2 Sm 24.16,17). A identidade do Anjo do Senhor tem sido debatida, especialmente pelo modo como ele freqüentemente se dirige às pessoas. Note os seguintes fatos: (a) em Jz 2.1, “O Anjo do Senhor diz: Do Egito Eu vos fiz subir, e Eu vos trouxe à terra que a vossos pais Eu tinha jurado, e Eu disse: Eu nunca invalidarei o meu concerto convosco”. Comparada esta passagem com outras que descrevem o mesmo evento, verifica-se que eram atos do Senhor, o Deus do concerto dos israelitas. Foi Ele quem jurou a Abraão, a Isaque e a Jacó que daria aos seus descendentes a terra de Canaã (Gn 13.14-17; 17.8; 26.2-4; 28.13); Ele jurou que esse concerto seria eterno (Gn 17.7), Ele tirou os israelitas do Egito (Êx 20.1,2) e Ele os levou à terra prometida (Js 1.1,2). (b) Quando o Anjo do Senhor apareceu a Josué, este se prostrou e o adorou (Js 5.14). Essa atitude tem levado muitos a crer que esse Anjo era uma manifestação do próprio Senhor Deus; do contrário, o Anjo teria proibido Josué de adorá-lo (Ap 19.10; 22.8,9). (c) Ainda mais explicitamente, o Anjo do Senhor que apareceu a Moisés na sarça ardente disse, em linguagem bem clara: "Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó" (Êx 3.6; ver Gn 16.7 nota; Êx 3.2 nota). Segundo Antônio Gilberto, o Anjo do Senhor está tão estreitamente identificado com o próprio Senhor, e por­que Ele apareceu em forma humana, alguns consideram que era uma aparição do Cristo eterno, a segunda pessoa da Trindade, antes de nascer da virgem Maria.

3.2 Filipe mostra Cristo através das Escrituras (At 8.32-34 inclua-se o vers. 35)

Os Judeus do primeiro século não falavam muito a respeito do Messias sofredor. Eles acreditavam e ensinavam que o sofrimento anunciado por Isaías era uma referência ao sofrimento da nação de Israel diante do domínio estrangeiro. É provável que o etíope tenha ouvido apenas esse ensinamento quando esteve em Jerusalém, porém tinha algumas dúvidas a esse respeito. No entanto, Filipe mostrou-lhe que o servo sofredor era JESUS. Ele teve de sofrer na cruz por causa dos pecados de toda a humanidade (Hb 12.2; Jo 3.16).

3.3 Filipe batiza o Eunuco (At 8.38)

Candace, rainha dos etíopes: Candace possivemente, de acordo com historiadores (Strabo, Geógrafo e historiador grego, 50 a.C.; e Plínio, primeiro século, História Natural) não era nome próprio, mas o título das governadoras do reino (conforme "Faraó").
Outro fato importante é que o carro parou e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco (vers. 38), caracterizando o batismo por imersão. Na Bíblia encontramos outros argumentos fortes defendendo esse tipo de batismo, como nos seguintes casos: Mt 3.16, onde diz que Jesus "batizado, saiu logo da água", aqui nota-se que Ele havia entrado na água. Ainda nessa linha de raciocínio, encontramos em Jo 3.23: "porque havia ali muitas águas". Logicamente, caso se estivesse apenas borrifando ou derramando água para realizar o batismo, porque haveria de existir em bastante quantidade? Paulo compara o batismo a um sepultamento (Cl 2.12, Rm 6.3-6). Não sepultamos um corpo jogando apenas uma pá de terra sobre ele nem tentaríamos sepultar o velho homem do pecado simplesmente com umas poucas gotas de água. A imersão está no plano de Deus para o batismo do crente.

O batismo nas águas salva? Vejamos o que diz o comentarista da Bíblia de Estudo Pentecostal, na nota da passagem bíblica, a seguir, transcrita:

1 Pe 3.21: "Que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, o batismo, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo".

Como uma verdadeira figura vos salva, o batismo. O batismo em água tem a ver com a salvação, considerado como uma fiel expressão do nosso arrependimento, da nossa fé em Cristo e do nosso compromisso de deixar o mundo. Ele fala da nossa confissão e promessa de que pertencemos a Cristo e morremos e ressuscitamos com Ele (At 2.38,39; Rm 6.3-5; 10.9,10; Gl 3.27; CI 2.12). Note a comparação com o dilúvio (1 Pe 3.20): assim como a obediência de Noé às instruções de Deus, no tocante ao dilúvio, foi um testemunho da sua fé antes do dilúvio, assim também o passar pelas águas do batismo é um testemunho alusivo à nossa fé, como meio de salvação em Cristo; fé esta que tínhamos antes de sermos batizados.   
       
4.  Filipe, um obreiro exemplar

At 21.9. Vemos aqui o cumprimento do que Pedro disse em seu discurso em At 2.17, que os filhos e jovens receberiam a promessa do derramamento do Espírito Santo para profetizar, dentre outras maravilhas. Nesse tópico, Paulo passaria em Cesaréia (At 21.8), onde seria recebido por Filipe, em sua terceira viagem missionária.

4.1 Buscava fazer o melhor para Deus

A execução de Estêvão foi o sinal para uma campanha mais decisiva de repressão. A grande comunidade de crentes de Jerusalém foi dispersa por toda a Palestina e até às suas fronteiras. Entretanto, a dispersão causou mais bem do que mal à causa; os que desse modo foram espalhados levaram consigo as boas novas e a disseminaram por toda parte. Filipe, um dos sete, partiu de Jerusalém para Samaria, cuja população semijudaica passou ele a evangelizar. Até então o evangelho fora anunciado só a judeus.
A corrente majoritária dos estudiosos da Bíblia afirma ser Cornélio o primeiro gentio a converter-se ao cristianismo. Todavia, ao observarmos o que se passou em At 8.37-38, verificamos a potencial aceitação da doutrina de Cristo por parte do eunuco (Etíope), através de Filipe. Não se pode afirmar que o eunuco era seguramente gentio. Pode ser que fosse um descendente de judeu que nascera fora da região da Palestina. Os indícios quanto a isto está no fato dele regressar de Jerusalém para onde tinha ido para a adoração, e além disto ele tinha em suas mãos o livro do profeta Isaías, o que indica sua familiaridade com as Escrituras.

4.2 Era um homem sensível a voz do Espírito

Nunca devemos repelir, ignorar ou rejeitar o Espírito Santo. Se lembrarmos que aquele que habita em nós é o próprio Espírito de Deus, seremos muito mais seletivos quanto ao que pensamos, lemos, vemos, dizemos e fazemos (Rm. 8.9; 1 Co 6.19; 2 Tm 1.14).

4.3 Era homem de aliança

“Arraial” quer dizer acampamento (Ex 16.13), e não seria um termo ideal a tratar aqui, melhor seria dizer “convívio”. Os infiéis da verdade de Deus, corruptos de entendimento, devem ser privados da convivência com os salvos (1 Tm. 6.6), até que verdadeiramente sejam atingidos e libertos pela verdadeira conversão (Jo 8.32 e 35). Lembremos que a nossa luta não é contra a carne, nem contra o sangue (Ef 6.12).

Conclusão

Uma unção especial. Seria essa uma unção diferenciada?

O crente recebeu uma unção da parte de Cristo, a saber; o Espírito Santo (2 Co 1.21-22), a unção que nos dá conhecimento e verdade (1 Jo 2.20; 1 Jo 2.27). É um equívoco do comentarista, visto que andamos num mesmo Espírito (1 Co 6.17; 2 Co 4.13; 12.18 e Fp 1.27) e fazemos parte de um povo, agora sim, especial (Dt 7.6 e Tt 2.14).