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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

LIÇÃO 9 - A CONVERSÃO DE SAULO DE TARSO

Igreja Evangélica Assembléia de Deus
Av. Brasil, 740 – Juiz de Fora - MG
Elaboração da Aula para os Professores da Escola Dominical
Revista: Atos dos Apóstolos
Profª. Magda Narciso Leite – Classe Sara

Texto Áureo: “Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rm 5.20).

O texto em apreço mostra uma das finalidades da lei. Revelar a gravidade do pecado, pois a lei, tendo sido entregue no monte Sinai, revelou o pecado como uma ofensa, em todos os sentidos, contra Deus em seu caráter santo, justo e perfeito. Deus, no entanto, revela a sua graça, sendo ela maior do que o pecado, pois, apesar da abundância do pecado, a graça de Deus superabundou já que Ele se dispôs a salvar o homem em meio a abundância e gravidade da ofensa.
  
Verdade Aplicada: A conversão de Saulo a Cristo foi a mais influente da Igreja Primitiva, pois repercutiu na salvação de muitos, no desenvolvimento de novas igrejas e, ainda hoje, a cristandade vive sob o efeito dela.

Em Jo 15.16 Jesus pronunciou as seguintes palavras: “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vos conceda”. A vida do apóstolo Paulo mostra o cumprimento das palavras de Jesus. Seu trabalho produziu fruto; fruto este que permanece até os dias de hoje.

Texto de Referência: At 9.1-4

Introdução – A palavra conversão significa “volta”... Podemos ver o arrependimento e a fé na conversão de Saulo...

Em um dos textos em azul, o comentarista define a conversão através das seguintes palavras: “Podemos definir a conversão da seguinte maneira: É a nossa resposta espontânea ao chamado do evangelho, pela qual, sinceramente, nos arrependemos dos nossos pecados e colocamos a confiança em Cristo para receber a salvação”.

A partir da conversão, o homem reconhece os seus maus caminhos, arrepende-se dos seus maus caminhos, abandona os seus maus caminhos, volta-se para Cristo reconhecendo ser Ele o único meio de ser salvo dos seus maus caminhos e da condenação eterna, e finalmente ele passa a produzir o fruto que revela o seu arrependimento e a sua conversão.

Mc 1.15: “E dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho”.

At 3.19: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor”.

Lc 3.8-14: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento, e não comeceis a dizer em vós mesmos: Temos Abraão por pai; porque eu vos digo que até destas pedras pode Deus suscitar filhos a Abraão. E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não dá bom fruto, corta-se e lança-se no fogo. E a multidão o interrogava, dizendo: Que faremos, pois? E, respondendo ele, disse-lhes: Quem tiver duas túnicas, reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos, faça da mesma maneira. E chegaram também uns publicanos, para serem batizados, e disseram-lhe: Mestre, que devemos fazer? E ele lhes disse: Não peçais mais do que o que vos está ordenado. E uns soldados o interrogaram também, dizendo: E nós que faremos? E ele lhes disse: A ninguém trateis mal nem defraudeis, e contentai-vos com o vosso soldo”.

Com relação ao arrependimento e a fé na vida de Saulo:

1 Tm 1.15: “Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal”.

1. Saulo de Tarso, o perseguidor – Nasceu na cidade de Tarso na Cilícia, atual Turquia, cidade célebre do império romano...

Segundo o Novo Dicionário da Bíblia a cidade de Tarso é a moderna Tersous, uma cidade da planície ciliciana, banhada pelo rio Cidno, e cerca de 16 quilômetros para o interior, à maneira da maioria das cidades da costa da Ásia Menor. Nos tempos romanos deve ter abrigado uma população de não menos que meio milhão de habitantes. Nada se sabe acerca da fundação de Tarso. Provavelmente era uma cidade nativa da Cilícia, que desde tempos bem remotos foi penetrada por colonos gregos. A cidade foi dominada pelos assírios, nos meados do século IX a.C. e mais tarde, ela ficou sob o domínio medo-persa. A perpetração dos romanos na Cilícia começou em 104 a.C. Em 64 a.C. foi firmado o acordo de Pompeu, sendo que este general romano [Pompeu] reconstruiu a Cilícia e a anexou à Província da Síria. Nos tempos do império romano, parece que Tarso desempenhou algum papel nas guerras civis. A cidade teria sido favorecida por Augusto por ser cidade natal de Antenodoro, seu professor em Apolônia e seu amigo pela vida inteira. A cidadania romana estendida aos judeus de Tarso provavelmente data do acordo firmado por Pompeu. Foi nesta cidade que Paulo nasceu conforme ele mesmo atesta em At 21.39 e At 22.3.

At 21.39: “Mas Paulo lhe disse: Na verdade que sou um homem judeu, cidadão de Tarso, cidade não pouco célebre na Cilícia; rogo-te, porém, que me permitas falar ao povo”.

At 22.3: “Quanto a mim, sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas criado nesta cidade aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais, zeloso de Deus, como todos vós hoje sois.”

1.1 Quem era Saulo de Tarso? – Saulo era filho de um fariseu cujo nome é desconhecido, mas com posses suficientes para enviá-lo a estudar em Jerusalém aos pés de Gamaliel, neto de Hilel, o grande mestre judeu.

Conforme visto no item 1, Paulo nasceu em Tarso, cidade localizada na Cilícia, onde alguns judeus já haviam se estabelecido, talvez dentre eles o pai de Paulo. Segundo o Novo Dicionário da Bíblia, Jerônimo cita uma tradição que diz que os antepassados de Paulo eram da Galiléia. Não é certo se migraram para Tarso por razões comerciais ou se foram colonizados por um governante sírio qualquer, mas o fato de possuírem a cidadania romana sugere que já residiam em Tarso há algum tempo. Paulo era descendente da tribo de Benjamim (Rm 11.1; Fp 3.4,5), e também zeloso membro do partido dos fariseus, do qual também seu pai fazia parte (At 23.6). Desde o seu nascimento, ele já possuía o título de cidadão romano (At 16.37; 22.25-29). Paulo foi educado em Jerusalém, conforme ele mesmo atesta, aos pés do rabino Gamaliel (At 22.3), um doutor da lei e membro do Sinédrio, o qual era tido em alta estima pelo povo judeu (At 5.34).

Rm 11.1: “Digo, pois: Porventura rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum; porque também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim”.

Fp 3.4,5: “Ainda que também podia confiar na carne; se algum outro cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu: Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu”.

At 23.6: “E Paulo, sabendo que uma parte era de saduceus e outra de fariseus, clamou no conselho: Homens irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseu; no tocante à esperança e ressurreição dos mortos sou julgado”.

At 16.37: “Mas Paulo replicou: Açoitaram-nos publicamente e, sem sermos condenados, sendo homens romanos, nos lançaram na prisão, e agora encobertamente nos lançam fora? Não será assim; mas venham eles mesmos e tirem-nos para fora”.

At 22.25-28: “E, quando o estavam atando com correias, disse Paulo ao centurião que ali estava: É-vos lícito açoitar um romano, sem ser condenado? E, ouvindo isto, o centurião foi, e anunciou ao tribuno, dizendo: Vê o que vais fazer, porque este homem é romano. E, vindo o tribuno, disse-lhe: Dize-me, és tu romano? E ele disse: Sim. E respondeu o tribuno: Eu com grande soma de dinheiro alcancei este direito de cidadão. Paulo disse: Mas eu o sou de nascimento. E logo dele se apartaram os que o haviam de examinar; e até o tribuno teve temor, quando soube que era romano, visto que o tinha ligado”.

At 5.34: “Mas, levantando-se no conselho um certo fariseu, chamado Gamaliel, doutor da lei, venerado por todo o povo, mandou que por um pouco levassem para fora os apóstolos”.

1.2 O encontro com Deus – Saulo moveu uma tremenda perseguição contra os crentes primitivos prendendo-os, castigando-os com varas, obrigando-os a blasfemar do nome de Jesus...

Quando Estevão foi apedrejado as testemunhas depuseram as suas vestes aos pés do jovem chamado Saulo, fato este que indica que Paulo naquele momento concordava com a execução de Estevão (At 7.58; 8.1). Apesar do discurso de Estevão, bem como a sua morte como mártir do cristianismo ter produzido algum impacto sobre Paulo [parece que é a isto que Jesus se refere, quando no encontro de Paulo com Ele na estrada de Damasco, Jesus lhe dirige as seguintes palavras: “Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões” (At 9.5)], Paulo prossegue empreendendo uma forte perseguição contra a igreja (At 8.1,3), o que acabou causando a dispersão de muitos discípulos pelas terras da Judéia e da Samaria. Paulo respirava ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, quando então ele se dirige ao sumo sacerdote pedindo-lhe cartas para Damasco, a fim de, encontrando ali alguns da “seita” dos nazarenos, ele os conduzisse a Jerusalém para serem presos (At 9.1,2). Conforme escreve Arrington (2003, p. 677):

“Damasco representava muito mais para Saulo, o rígido fariseu, que outra parada em sua campanha de repreensão. Era o ponto central da vasta cadeia comercial com extenso comércio de linhas de caravana alcançando do norte da Síria, Mesopotâmia, Anatólia, Pérsia e Arábia. Se o “novo caminho” do cristianismo florescesse em Damasco logo chegaria a todos estes lugares. Do ponto de vista do Sinédrio e de Saulo, o grande perseguidor, o cristianismo tinha de ser detido em Damasco”.

É no caminho de Damasco que subitamente Paulo é surpreendido por um resplendor de luz do céu, quando então caindo por terra ele ouve a voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (At 9.4b).

“E expulsando-o da cidade, o apedrejavam. E as testemunhas depuseram as suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo” (At 7.58).

“E também Saulo consentiu na morte dele. E fez-se, naquele dia, uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos foram dispersos pelas terras da Judéia e da Samaria, exceto os apóstolos. E uns varões piedosos foram enterrar Estevão e fizeram sobre ele grande pranto. E Saulo assolava a igreja, entrando pelas casas; e arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão” (At 8.1-3).

“E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote e pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a fim de que, se encontrasse alguns daquela seita, quer homens, quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém” (At 9.1,2).

1.3 A importância de sua conversão – A conversão de Saulo foi tão profunda e sacrificial que, ainda que não tivesse andado com Jesus, como seus doze apóstolos, esta fez dele o homem mais dedicado em seu ministério...

Quando Paulo ouviu a voz que lhe dizia “Saulo, Saulo, por que me persegues?”, ele perguntou: “Quem és, Senhor?” E o Senhor lhe disse: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues”. Paulo descobria naquele momento, que Jesus de Nazaré, o qual ele considerava como que estando morto, não estava morto, mas vivo, e sendo assim, tal fato, atestava a mensagem que ele ouvia por parte daqueles a quem perseguia, certamente a mensagem de que Jesus ressuscitara dentre os mortos e estava a direita de Deus no céu. Foi exatamente esta, uma das últimas mensagens que ele ouviu por parte de Estevão: “Eis que vejo os céus abertos e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus” (At 7.56). A revelação na estrada de Damasco era arrasadora, pois ela jogava por terra todas as convicções de Paulo acerca de quem era Jesus, porém ao mesmo tempo, ela levava Paulo ao reconhecimento de que Jesus é o Senhor, e sendo assim, perseguir os seus discípulos era o mesmo que persegui-lo e perseguir a Jesus era o mesmo que combater contra o Deus de Israel, que se revelara, na Pessoa de Jesus Cristo, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo. Este reconhecimento de Paulo imediatamente o leva a se colocar à disposição dAquele que com ele falara: “E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que faça?” (At 9.6a). Assim pode-se dizer, que da mesma maneira que Paulo, como fariseu, se dispusera a zelar pelo nome com que Deus se revelara a Moisés, ele se dispunha agora a zelar pelo nome de Jesus, ainda que lhe fosse necessário sofrer pela causa de Cristo, o que de fato aconteceria, conforme lhe seria revelado mais adiante, por Ananias, o servo que o Senhor enviaria ao encontro de Paulo.

“Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel. E eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome” (At 9.15,16).

A disposição de Paulo de sofrer em prol do evangelho de Jesus Cristo é atestada em todo o percurso de seu ministério até à sua morte. Paulo sofre o martírio na primeira perseguição de Nero contra os cristãos. Segundo o “Livro dos Mártires”, ele foi retirado de um calabouço em Roma para execução. Conta Abadias que, quando se deliberou a respeito de sua execução, o imperador enviou dois de seus cavalheiros, Ferega e Partemio, para dar-lhe a notícia de que seria morto. Ao chegarem ao apóstolo, que instruía o povo, pediram-lhe que orasse por eles para que cressem. Paulo garantiu-lhes que creriam em breve e seriam batizados diante de seu túmulo. Logo vieram os soldados e o levaram ao lugar das execuções, onde, depois de haver orado, ofereceu o pescoço a espada.

At 20.24: “Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus”.

At 21.13,14: “Mas Paulo respondeu: Que fazeis vós, chorando e magoando-me o coração? Porque eu estou pronto não só a ser ligado, mas ainda a morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus. E, como não podíamos convencê-lo, nos aquietamos, dizendo: Faça-se a vontade do Senhor”.

2 Tm 4.6: “Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo”.

2. Paulo, o perseguido – Saulo quando perseguidor, teimoso e cruel, não imaginou que uma vez convertido a Jesus Cristo sofreria pertinaz perseguição ao longo de toda a sua existência...

Depois que Paulo entrou na cidade de Damasco, Ananias, em obediência ao Senhor vem até onde ele se encontrava, e ora por ele, sendo então a visão de Paulo recuperada. Paulo começa a anunciar em Damasco que Jesus era o Filho de Deus. Ele, porém, por causa do intento dos judeus de o matarem, se vê obrigado a fugir, e assim os discípulos o descem, dentro de um cesto, por um muro. Assim começa a carreira de Paulo. Aquele que antes perseguia, passa a ser, desde então perseguido. Paulo, no entanto, não se deixaria abater pela perseguição.

At 9.19-25: “E, tendo comido, ficou confortado. E esteve Saulo alguns dias com os discípulos que estavam em Damasco. E logo nas sinagogas pregava a Jesus, que este era o Filho de Deus. E todos os que o ouviam estavam atônitos, e diziam: Não é este o que em Jerusalém perseguia os que invocavam este nome, e para isso veio aqui, para os levar presos aos principais dos sacerdotes? Saulo, porém, se esforçava muito mais, e confundia os judeus que habitavam em Damasco, provando que aquele era o Cristo. E tendo passado muitos dias, os judeus tomaram conselho entre si para o matar. Mas as suas ciladas vieram ao conhecimento de Saulo; e como eles guardavam as portas, tanto de dia como de noite, para poderem tirar-lhe a vida, tomando-o de noite os discípulos o desceram, dentro de um cesto, pelo muro”.

2.1 A natureza da perseguição – Perseguição experimentada por Paulo era de natureza humana, mas também era espiritual e maligna. Acrescento que Paulo lidava com a conseqüência da ignorância humana, assim como ele mesmo agiu perseguindo a muitos...

Ef 6.12: “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”.

2 Tm 3.12: “E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições”.

Acerca da ignorância humana, o próprio Paulo atesta ter sido movido por ela:

At 26.9-11: “Bem tinha eu imaginado que contra o nome de Jesus Nazareno devia eu praticar muitos atos; que também fiz em Jerusalém. E, havendo recebido autorização dos principais dos sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e quando os matavam eu dava o meu voto contra eles. E, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas, os obriguei a blasfemar. E, enfurecido demasiadamente contra eles, até nas cidades estranhas os persegui”.

1 Tm 1.12-14: “E dou graças ao que me tem confortado, a Cristo Jesus Senhor nosso, porque me teve por fiel, pondo-me no ministério; a mim, que dantes fui blasfemo, e perseguidor, e injurioso; mas alcancei misericórdia, porque o fiz ignorantemente, na incredulidade. E a graça de nosso Senhor superabundou com a fé e amor que há em Jesus Cristo”.

2.2 Tempo de perseguição – Paulo tinha em mente que deveria evangelizar primeiramente os judeus... Esse discurso causava debates, dividia o grupo...

At 13.46-14.5: “Mas Paulo e Barnabé, usando de ousadia, disseram: Era mister que a vós se vos pregasse primeiro a palavra de Deus; mas, visto que a rejeitais, e não vos julgais dignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os gentios. Porque o Senhor assim no-lo mandou: eu te pus para luz dos gentios,a fim de que sejas para salvação até os confins da terra. E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna.  Mas os judeus incrédulos incitaram e irritaram, contra os irmãos, os ânimos dos gentios. E havendo um motim, tanto dos judeus como dos gentios, com os seus principais, para os insultarem e apedrejarem, sabendo-o eles, fugiram para Listra e Derbe, cidades da Licaônia, e para a província circunvizinhas”.

At 26.20: “Antes anunciei primeiramente aos que estão em Damasco e em Jerusalém, e por toda a terra da Judéia, e aos gentios, que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento”.

Rm 1.16: “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego”.

1 Co 9.20: “E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei”.
           
2.3 Como enfrentava a perseguição – Paulo experimentou muitos sofrimentos como resultado da perseguição, tais como apedrejamento...

2 Co 11.23-27: “São ministros de Cristo? (falo como fora de mim) eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez”.

Rm 8.18: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada”.

2 Co 1.5: “Porque, como as aflições de Cristo são abundantes em nós, assim também é abundante a nossa consolação por meio de Cristo”.

2 Co 1.8: “Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos sobremaneira agravados mais do que podíamos suportar, de modo tal que até da vida desesperamos”.

2 Co 12.9,10: “E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte”.

3. Paulo, o apóstolo escolhido por Deus – Humanamente falando, jamais escolheríamos um homem para trabalhar em nossa empresa que tivesse sido um terrível inimigo...

A consideração acima feita pelo comentarista, foi também feita por Ananias, o discípulo de Damasco a quem o Senhor ordena que fosse ao encontro de Saulo. Para Ananias parecia inconcebível que Jesus estivesse lhe enviando exatamente para orar por alguém que já tinha causado tantos males a igreja. No entanto, Jesus reafirma a Ananias a sua vontade. Por sua soberana vontade, Paulo era para Ele “um vaso escolhido”, e sendo assim, ninguém poderia impedir os propósitos do Senhor.

At 9.10-15: “E havia em Damasco um certo discípulo chamado Ananias; e disse-lhe o Senhor em visão: Ananias! E ele respondeu: Eis-me aqui, Senhor. E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e vai à rua chamada Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso chamado Saulo; pois eis que ele está orando; e numa visão ele viu que entrava um homem chamado Ananias, e punha sobre ele a mão, para que tornasse a ver. E respondeu Ananias: Senhor, de muitos ouvi acerca deste homem, quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém; e aqui tem poder dos principais dos sacerdotes para prender a todos os que invocam o teu nome.  Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel”.

3.1 Escolhido por sua soberania – Dentre tantos homens existentes naquela época, o Senhor Jesus escolheu a Saulo... As palavras de Jesus faladas por Ananias revelando a vocação ministerial de Saulo sempre permaneceram na memória dele (At 9.15; 22.14-16)... Em algumas de suas cartas ele fez questão de mencionar o seu chamado divino, principalmente aquelas igrejas que punham em dúvida a sua autoridade apostólica...

Em At 22.1-21, Paulo discursa em Jerusalém, em sua defesa já que ele estava sendo acusado de ensinar contra a lei, contra o templo e ainda de ter introduzido um gentio no templo. Paulo relembra a multidão o seu histórico como perseguidor da igreja, e conta sobre sua conversão na estrada de Damasco. Nos versículos 12 a 16, Paulo descreve seu encontro com Ananias e as palavras de Ananias que revelavam, que pela vontade soberana de Deus, ele fora escolhido para ser testemunha do nome de Jesus:

At 22.12-16: “E um certo Ananias, homem piedoso conforme a lei, que tinha bom testemunho de todos os judeus que ali moravam, vindo ter comigo, e apresentando-se, disse-me: Saulo, irmão, recobra a vista. E naquela mesma hora o vi. E ele disse: O Deus de nossos pais de antemão te designou para que conheças a sua vontade, e vejas aquele Justo e ouças a voz da sua boca. Porque hás de ser sua testemunha para com todos os homens do que tens visto e ouvido. E agora por que te deténs? Levanta-te, e batiza-te, e lava os teus pecados, invocando o nome do Senhor”.

Algumas igrejas, influenciadas por falsos mestres que queriam minar a confiança dos cristãos nos ensinos de Paulo, colocaram em dúvida a autoridade apostólica de Paulo. Eles tentavam argumentar, principalmente no fato de que Paulo não andara com Jesus como os demais apóstolos. Paulo, em suas cartas, reafirma que seu apostolado vinha do próprio Deus, sendo que ele também era uma testemunha da ressurreição de Jesus Cristo, um dos requisitos que foi considerado pelos apóstolos na escolha de Matias em lugar de Judas (ver At 1.22). Paulo podia ser visto como que cumprindo tal requisito, já que o próprio Jesus lhe aparecera na estrada de Damasco e isto atestava o seu apostolado. Com a escolha de Paulo, sendo ele incluso dentre os apóstolos como um abortivo, conforme ele próprio define em 1 Co 15.8, ou seja, como alguém que nascera fora do tempo, o número dos apóstolos se completa. A analogia quanto a isto pode ser vista no número de filhos de Jacó. Jacó teve 12 filhos e em semelhança a este fato, Jesus escolhe doze homens os quais foram chamados de apóstolos. Os doze podem ser vistos como representantes da totalidade daqueles que são chamados dentre os judeus, já que o número doze é na Bíblia, símbolo de plenitude, totalidade. Jacó, no entanto não tinha somente os doze filhos, ele tinha também uma filha, Diná. Diná pode ser vista como que representando a igreja gentílica, já que a mulher nos tempos do Antigo Testamento não era contada, assim como também, não o era os gentios. Assim, à semelhança deste fato, Paulo é chamado com um propósito específico, o de ser “apóstolo dos gentios”. Com a chamada de Paulo a analogia se completa. Nos doze, juntamente com o apóstolo Paulo, se vê a representatividade da totalidade dos filhos de Deus, tanto dentre os judeus, quanto dentre os gentios, sendo todos edificados no fundamento dos apóstolos, e diante disto, pode se dizer que o ministério apostólico nos dias atuais já não tem mais lugar.

2 Co 1.1: “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo, à igreja de Deus, que está em Corinto, com todos os santos que estão em toda a Acaia”.

Gl 1.1: “Paulo, apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos)”.

1 Co 9.1: “Não sou eu apóstolo? Não sou livre? Não vi eu a Jesus Cristo Senhor nosso? Não sois vós a minha obra no Senhor?”

1 Co 15.3-8: “Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E que foi visto por Cefas, e depois pelos doze. Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos. E por derradeiro de todos me apareceu também a mim, como a um abortivo”.

3.2 Escolhido como um vaso – Para o Senhor Jesus, Saulo era um vaso apropriado... Paulo entendeu que tinha esse tesouro em vaso de barro... ele aprendeu a ser humilde e as tribulações que lhe sobrevieram tinham um efeito controlador da soberba natural humana.

O mistério do qual Paulo fala em Ef 3.1-10 e Cl 1.24-29 está relacionado a inclusão dos gentios como co-herdeiros das promessas de Deus.

Ef 3.4,5: “Pelo que, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo, o qual, noutros séculos, não foi manifestado aos filhos dos homens, como, agora, tem sido revelado pelo espírito aos seus santos apóstolos e profetas, a saber, que os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho”.

Cl 1.26,27: “O mistério que esteve oculto desde todos os séculos e em todas as gerações e que, agora, foi manifesto aos seus santos; aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória”.

Com relação à humildade de Paulo:

2 Co 4.6,7: “Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós”.

2 Co 12.7: “E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar”.

3.3 Escolhido para uma missão ampla – Levar a mensagem do evangelho aos gentios e reis espalhados naquela época era tanto um grande privilégio quanto um desafio... Apesar de todo o sofrimento e de toda a sua cultura, Paulo entendeu com o tempo que deveria depender do poder de Deus...

Apesar de toda cultura, além de depender do poder de Deus, Paulo se propôs a pregar o evangelho genuíno de Jesus Cristo sem misturas que nada trazem de proveito para a salvação eterna.

Rm 15.18,19: “Porque não ousarei dizer coisa alguma, que Cristo por mim não tenha feito, para fazer obedientes os gentios, por palavra e por obras; pelo poder dos sinais e prodígios, na virtude do Espírito de Deus; de maneira que desde Jerusalém, e arredores, até ao Ilírico, tenho pregado o evangelho de Jesus Cristo”.

1 Co 2.1-3: “E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor”.

4. Lições que Paulo deixa para cada um de nós – Das tantas lições deixadas por Paulo destacaremos três...

4.1 Lição de uma conversão total – A conversão de Paulo a Jesus Cristo foi sem meio termo... Por isso, postou-se como um exemplo digno de ser imitado...

1 Co 11.1: “Sede meus imitadores, como também eu de Cristo”.

Fp 3.17: “Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam”.

2 Ts 3.7: “Porque vós mesmos sabeis como convém imitar-nos, pois que não nos houvemos desordenadamente entre vós”.

4.2 Lição de amor a Jesus Cristo – Uma das coisas mais impressionantes em Paulo é o seu amor a Cristo...

2 Co 5.14,15: “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou”.

4.3 Lição de compromisso tenaz – Seu compromisso tenaz com Jesus Cristo fez de sua conversão a mais impactante da história do cristianismo... Ele tornou-se irrefreável...

2 Tm 4.7,8: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda”.

Referências Bibliográficas:
Johnson, V.; Palma, A., Hernando, J.; Simmons, W.; Adams, J. W.; Demchuck, D.; Soderlund, S. K.; Glubish, B.; Gill, D. M.; Comentário Bíblico Pentecostal, 2003, 1a. Ed., CPAD, Rio de Janeiro, RJ.
J. D. Douglas, O Novo Dicionário da Bíblia, 1995, Edições Vida Nova, SP/SP.
Fox, J.; O Livro dos Mártires, 2003, 5a Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ.
Bíblia de Estudo Pentecostal, 1995, CPAD, RJ/RJ.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

LIÇÃO 5 – A GRAVE MENTIRA DE ANANIAS E SAFIRA

Igreja Evangélica Assembléia de Deus
Av. Brasil, 740 – Juiz de Fora - MG
Elaboração da Aula para os Professores da Escola Dominical
Revista: Atos dos Apóstolos
Profª. Magda Narciso Leite – Classe Sara

Texto Áureo: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7).
  
Verdade Aplicada: Mentir na presença de Deus faz o homem cair negativamente em suas mãos e horrenda coisa é ser punido por Deus.

Texto de Referência: At 5.1-4

Introdução – Lucas, ao escrever acerca de Ananias e Safira, relata um dos poucos milagres de maldição ocorrido ao longo do Novo Testamento...

O que é maldição? É a condição proveniente de um ato, onde um mal é instalado na vida de uma pessoa de alguma maneira. A maneira como este mal se instala, pode ser, por exemplo, através de um homem, ao proferir este uma maldição contra outra pessoa, ou quando um homem pronuncia uma maldição contra si próprio em confirmação a uma promessa, ou como garantia da verdade de um testemunho perante a lei. Deus pode proferir uma maldição sobre a vida de alguém ou de alguma coisa? Sim. No entanto, em relação a Deus é importante deixar claro que quando Ele pronuncia uma maldição, essa é, em primeiro lugar, uma denúncia contra o pecado, sendo a maldição, na verdade, conseqüência do pecado, e não conseqüência em si do pronuncio feito por Deus; em segundo lugar, a maldição demonstra o julgamento de Deus contra o pecado. Com relação aos exemplos citados pelo comentarista, a morte de Ananias e Safira, a maldição da figueira, uma simbologia da nação de Israel; Herodes ferido pelo anjo do Senhor e comido de bichos e a cegueira temporária de Elimas (não de Saulo como escrito no texto), todos os casos se tratam do julgamento de Deus contra o pecado. A denúncia ou julgamento de Deus contra o pecado sempre deve despertar o temor dos homens em relação a Deus, pois todos os casos visam demonstrar qual será o fim de todos aqueles que permanecem em seus pecados ou em desobediência a Deus.

1. Mentiram para obter prestígio – Infelizmente, vivemos uma época em que muitos desejam ser reconhecidos e prestigiado...

Em todas as épocas os homens, de forma geral, demonstram em si o desejo de serem reconhecidos e prestigiados. Os preceitos de Deus vêm exatamente contrapor a esse desejo inerente ao ego humano, e sendo assim, todos aqueles que se dispõe a servir ao Senhor devem lutar contra este tipo de sentimento. É o que Jesus mostra em Mt 6.1-6,16-18, quando então Ele denuncia as ações dos homens quanto a dar esmolas, orar e jejuar apenas com o intuito de serem vistos e admirados pelos homens.

"Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; para que a tua esmola seja dada em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, ele mesmo te recompensará publicamente. E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente.
E, quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram os seus rostos, para que aos homens pareça que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto, para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente".

1.1 A voluntariedade da contribuição financeira – Não havia, naquela época, uma regra quanto a contribuição na Igreja Primitiva, a não ser a generosidade voluntária...

“E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns. E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos. E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha” (At 4.32-35).

Princípios que regem a contribuição financeira:

“Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre, para que, pela sua pobreza, enriquecêsseis” (1 Co 8.9).

“Porque, se há prontidão de vontade, será aceita segundo o que qualquer tem e não segundo o que não tem” (1 Co 8.12).

“Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria. E Deus é poderoso para tornar abundante em vós toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda suficiência, superabundeis em toda boa obra, conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre. Ora, aquele que dá a semente ao que semeia e pão para comer também multiplicará a vossa sementeira e aumentará os frutos da vossa justiça” (1 Co 9.7-10).

1.2 As contribuições geravam prestígio – Quando alguém dava uma oferta vultuosa... gerava admiração e respeito. Esse prestígio era alcançado por meio da generosidade em si e era conquistado por conseqüência... vemos por exemplo o caso de José, apelidado de “filho da consolação” (ou Barnabé)... Ananias e Safira vendo o exemplo de Barnabé, e o prestígio que isso trouxe, cobiçaram aquela honra para si, mas de maneira reprovável.

“Então, José, cognominado, pelos apóstolos, Barnabé (que, traduzido é, Filho da consolação), levita, natural de Chipre, possuindo uma herdade, vendeu-a, e trouxe o preço, e o depositou aos pés dos apóstolos. Mas um certo varão chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu uma propriedade e reteve parte do preço, sabendo-o também sua mulher; e, levando uma parte, a depositou aos pés dos apóstolos” (At 4.36,37; 5.1,2).

1.3 Um plano astucioso com a contribuição – Ananias e Safira, pelo que parece, eram bons crentes, mas achavam que não poderiam deixar de passar aquela oportunidade de reconhecimento público... Na verdade, Satanás estava enchendo o coração deles de cobiçosa honra...

Ananias e Safira ao venderem uma propriedade planejaram entre eles levar parte do preço aos pés dos apóstolos, simulando perante a igreja que aquela quantia era o preço total da propriedade. Com relação ao comentário de que, ao que parece, eles eram bons crentes, fica difícil tecer algum comentário sobre isto, pois nenhum relato quanto às suas atitudes antecedentes é apresentado na Bíblia. O que nós podemos ver é que através dos seus desejos de obterem prestígio perante a igreja, eles acabaram cedendo espaço para que Satanás enchesse seus corações, e assim ao invés de retrocederem, acabaram levando seu intuito à frente. Ninguém está livre de viver situações onde certos desejos venham aflorar a mente ou o coração, no entanto, em circunstâncias como esta, onde o pecado jaz a porta, a Bíblia nos ensina que o que nós devemos fazer é lutar contra o mal, através da vigilância, da oração, da busca pelo domínio próprio e da sujeição à Deus e à sua vontade.

“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41).

“No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo” (Ef 6.10,11).

“Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4.7).

“Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar; Ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo” (1 Pe 5.8,9).

2. A gravidade do pecado, mentiram para Deus – Várias questões são levantadas sobre o ato mentiroso de Ananias e Safira, por exemplo, teriam blasfemado contra o Espírito Santo? Porque Deus os executou tão sumariamente sem dá-los chance de arrependimento? Teria sido o pecado deles tão grave assim? E porque pessoas que mentem hoje tão gravemente não morrem? Essas perguntas tem o seu valor apesar do pouco tempo tentaremos responder aqui resumidamente

2.1 O significado de mentir para Deus – Quando Ananias depositou aos pés dos apóstolos a contribuição, estava se fazendo passar por um homem melhor do que ele era... Não houve blasfêmia alguma naquela situação...

Conforme foi visto anteriormente, Ananias e Safira simularam uma situação para, através dela obterem prestígio. Eles não voltaram atrás naquilo que planejaram, antes levaram a frente o seu intento mentindo em relação ao preço da propriedade. O Espírito Santo revelou a situação a Pedro, e assim Pedro a denunciou a Ananias. Conforme o comentarista escreve, o pecado nesta situação não foi o pecado de blasfêmia contra o Espírito Santo e nem o de sonegação de dízimo ou de oferta. Quanto a mentira, esta na verdade, foi o ato final do pecado já existente. O que aconteceu então neste caso, foi o pecado que a Bíblia no Antigo Testamento chama de “pecado com as mãos levantadas” (ver Nm 15.30,31), ou seja, o pecado premeditado ou planejado de forma voluntária e levado a frente em sua execução. A gravidade quanto a este tipo de pecado é vista nas seguintes palavras de Hb 10.26-29:

“Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo, que há de devorar os adversários. Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas. De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?”

“Mas a alma que fizer alguma coisa à mão levantada, quer seja dos naturais quer dos estrangeiros, injúria ao Senhor; e tal alma será extirpada do meio do seu povo, pois desprezou a palavra do Senhor e anulou o seu mandamento; totalmente será extirpada aquela alma, e a sua iniqüidade será sobre ela” (Nm 15.30,31).

2.2 Ignoraram a onisciência de Deus – A falta de temor e a ousadia em mentir foi tal que ignoraram a onisciência de Deus...

“Mas nada há encoberto que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser sabido. Porquanto tudo o que em trevas dissestes, à luz será ouvido; e o que falastes ao ouvido no gabinete, sobre os telhados será apregoado” (Lc 12.2,3).

“E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar” (Hb 4.13).
           
2.3 Atraíram juízo e condenação sobre Si – Ananias e Safira procuravam uma boa coisa, porém da maneira errada... mas de Deus não se escarnece. Vejamos qual foi a conseqüência desastrosas disso no item a seguir.

Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará (Gl 6.7).

3. A conseqüência desastrosa da mentira – Todo ato pecaminoso gera uma conseqüência. A Bíblia deixa claro na Lei da Semeadura, tudo aquilo que o homem plantar isso também ceifará (Gl 6.7)

3.1 Ananias é fulminado – Quando Pedro pronunciou suas palavras inquiridoras sobre Ananias, por si só já seria uma severa reprimenda se nada acontecesse... Inquiriu acerca da desobrigatoriedade da contribuição...

“Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus. E Ananias, ouvindo estas palavras, caiu e expirou. E um grande temor veio sobre todos os que isto ouviram. E, levantando-se os moços, cobriram o morto e, transportando-o para fora, o sepultaram” (At 5.3-5).

3.2 Safira é fulminada – A consorte de Ananias era também sua cúmplice e partícipe direta no pecado da mentira ao Espírito Santo...

“E, passando um espaço quase de três horas, entrou também sua mulher, não sabendo o que havia acontecido. E disse-lhe Pedro: Dize-me, vendestes por tanto aquela herdade? E ela disse: Sim, por tanto. Então Pedro lhe disse: Por que é que entre vós vos concertastes para tentar o Espírito do Senhor? Eis aí à porta os pés dos que sepultaram o teu marido, e também te levarão a ti. E logo caiu aos seus pés, e expirou. E, entrando os moços, acharam-na morta, e a sepultaram junto de seu marido. E houve um grande temor em toda a igreja, e em todos os que ouviram estas coisas” (At 5.7-11).

3.3 O temor pairou sobre todos os que ouviram – Os fiéis ficaram atemorizados desde o início... Teria sido Deus severo? Porque não deu Deus tempo para que se arrependessem?... Em primeiro lugar mentira é uma violação de um princípio divino que, em outras situações Deus demonstra tolerância... Então Deus em sua soberania não tolerou fulminou a ambos para servir como exemplo a todas as gerações da igreja que se seguiriam.

É importante deixar claro que Deus não é tolerante com nenhum tipo de pecado, nem mesmo com a mentira seja ela em que situação for, pois o pecado sempre faz separação entre Deus e o homem e o salário do mesmo sempre será a morte. O pecado na vida do crente fiel a Deus pode até ocorrer, o próprio apóstolo João diz que se nós dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos (ver 1 Jo 1.8), porém este nunca deve ocorrer de forma premeditada, conforme foi o caso. É claro que desde o momento em que o pecado foi planejado, até o momento em que veio a tona perante a igreja houve oportunidade para arrependimento, e se assim fosse, conforme Tg 2.13 a misericórdia triunfaria sobre o juízo. Deus sempre espera que haja arrependimento, pois Ele não tem prazer em que ninguém venha a morrer sem salvação. Não havendo, porém arrependimento, já não resta mais sacrifício para o pecado e diante disto, o que se pode esperar é o juízo divino. A morte de Ananias e Safira fica como exemplo para todos nós, para que não venhamos a banalizar a graça de Deus, pois conforme diz Hb 10.31: “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo”.

“E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra” (2 Cr 7.14).

“Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor Deus; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva? Mas, desviando-se o justo da sua justiça, e cometendo a iniqüidade, fazendo conforme todas as abominações que faz o ímpio, porventura viverá? De todas as justiças que tiver feito não se fará memória; na sua transgressão com que transgrediu, e no seu pecado com que pecou, neles morrerá” (Ez 18.23,24).

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça” (1 Jo 1.9).

“E dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição; e não se arrependeu” (Ap 2.21).

4. Que lições aprendemos com Ananias e Safira – Penso que dizer, que o que aconteceu a Ananias e Safira é apenas para não mentirmos uns aos outros é ser muito superficial...

4.1 Primeiro, não devemos agir como se Deus não nos visse – Deus é amor, é gracioso, é longânimo, mas é justo juiz... Aquele que usam de engano não servem a Deus e não podem permanecer na congregação dos justos...

“Por isso os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos. Porque o Senhor conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá” (Sl 1.5,6).

“Filhos dos homens, até quando convertereis a minha glória em infâmia? Até quando amareis a vaidade e buscareis a mentira?” (Sl 4.2)

“Destruirás aqueles que falam a mentira; o Senhor aborrecerá o homem sanguinário e fraudulento” (Sl 5.6).

“O que usa de engano não ficará dentro da minha casa; o que fala mentiras não estará firme perante os meus olhos” (Sl 101.7).

“A verdadeira testemunha não mentirá, mas a testemunha falsa se desboca em mentiras” (Pv 14.5).

“Suave é ao homem o pão da mentira, mas depois a sua boca se encherá de cascalho” (Pv 20.17).

“Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira” (Jo 8.44).

“Por isso deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros” (Ef 4.25).

“E não entrará nela coisa alguma que contamine, e cometa abominação e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro” (Ap 21.27)

“Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira” (Ap 22.15).

4.2 Segundo, não devemos pensar que podemos nos esconder – Muitas pessoas se escondem debaixo de um falso manto de piedade e santidade querendo parecer bom aos homens, mas interiormente Deus, que sonda nossos corações, os vê cheios de malícia...

“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno” (Sl 139.23,24).

“Todo caminho do homem é reto aos seus olhos, mas o Senhor sonda os corações” (Pv 21.2).

“E ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda os rins e os corações. E darei a cada um de vós segundo as vossas obras” (Ap 2.23).

4.3 Terceiro, devemos temer a Deus em todo tempo – Nosso temor não deve ser temporário ou intermitente. Mas constante para nos guardarmos das ciladas de Satanás. Numa falta de vigilância, Ananias e Safira deixaram que Satanás enchesse seus corações de cobiçosa honra...

“Agora, pois, seja o temor do Senhor convosco; guardai-o, e fazei-o; porque não há no Senhor nosso Deus iniqüidade nem acepção de pessoas, nem aceitação de suborno” (2 Cr 19.7).

“E disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é a inteligência” (Jó 28.28).

“O temor do Senhor é limpo, e permanece eternamente; os juízos do Senhor são verdadeiros e justos juntamente” (Sl 19.9).

“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; bom entendimento têm todos os que cumprem os seus mandamentos; o seu louvor permanece para sempre” (Sl 111.10).

“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo a prudência” (Pv 9.10).

“O temor do Senhor é fonte de vida, para desviar dos laços da morte” (Pv 14.27).

Referências Bibliográficas:
J. D. Douglas, O Novo Dicionário da Bíblia, 1995, Edições Vida Nova, São Paulo, SP.
D. Stamps, Bíblia de Estudo Pentecostal, 1995, CPAD, Rio de Janeiro, RJ.