terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

LIÇÃO 8 - FILIPE, UM OBREIRO VERSÁTIL

Igreja Evangélica Assembléia de Deus
Av. Brasil, 740 – Juiz de Fora - MG
Elaboração da Aula para os Professores da Escola Dominical
Revista: Atos dos Apóstolos
Prof. Evangelista Márcio do Livramento Leão – Congregação de Benfica

O termo versátil possui dois significados:

·  Vário (instável) ou volúvel (inconstante, sem opinião).
·  Que tem qualidades várias num determinado ramo de atividades.

Nesse caso, preferimos adotar o segundo significado para o título acima, em consonância com a proposta do comentarista da revista.

Texto Áureo: At 8.35

Ver Lc 24.27 (Começando por Moisés e por todos os profetas, Jesus explicou aos dois discípulos no caminho de Emaús, o plano de Deus através das Escrituras).
Ver At 18.28 (muitos dos cristãos em Corinto eram gentios e oponentes fáceis de serem vencidos por quem conhece a fundo as Escrituras hebraicas. No entanto, os argumentos desses judeus eram facilmente refutados por Apolo, um judeu cristão que era eloqüente e poderoso na Palavra, At. 18.24).

Verdade Aplicada

As qualidades de um obreiro que edificam a igreja, citadas pelo autor, certamente são os dons que são dados por Deus aos crentes:

1 Co 14.12: "Assim também vós, como desejais dons espirituais, procurai abundar neles, para edificação da igreja".

1 Co 1.7: "De maneira que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo".

Tg 1.17: "Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação".

1 Pe 4.10: "Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus".

Objetivos da Lição

No terceiro objetivo temos de observar que a evangelização é uma das várias formas de demonstrarmos nosso amor por Jesus. Dentre outras, devemos compartilhar dos sofrimentos de Cristo:

2 Co 4.11: "E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal".

Glossário

Dentre as palavras apresentadas, poderíamos complementar com:

Candace: Título que quer dizer “rainha”, assim como “faraó” quer dizer “rei” (At 8.27).
Eunuco: Homem castrado que servia de guarda das mulheres do seu dono (Et 2.3). Eram também chamados de eunucos alguns altos funcionários de confiança dos reis, quer esses funcionários fossem castrados ou não (At 8.27).
Gentio: O que não é israelita (Is 42.1,6).
Prosélito: Gentio que segue a religião judaica (Mt 23.15; At 13.43).
Samaritano: Pessoa nascida em SAMARIA (Região central da Terra Santa, abrangendo as tribos de Efraim e Manassés do Oeste. Ao norte ficava a Galiléia; a leste, o Jordão; ao sul, a Judéia; e, a oeste, o Mediterrâneo - 2 Rs 17.24-26; At 1.8). Israelitas e samaritanos não se davam por causa de diferenças de raça, religião e costumes (2 Rs 17.29; Jo 4.9).

Texto de Referência

A versão apresentada é a Almeida Revista e Corrigida (ARC).

Introdução

Judeu Helênico: Judeu que falava grego, nascidos ou criados fora da terra de Israel (At 6.1, RC; RA, helenista).
Eusébio de Cesaréia: Bispo de Cesaréia, nasceu em cerca de 270, fale­ceu no ano 339/340. Não se sabe onde nasceu, mas passou a maior e mais impor­tante parte de sua vida em Cesaréia, na época a maior cidade romana da Palestina. Era de família desconhecida mas certa­mente cristã, como indica seu nome.
Curiosamente, Eusébio também cita que Filipe, o apóstolo, juntamente com suas filhas, foi sepultado na mesma cidade em que o evangelista, conforme transcrito abaixo:

"Porque também na Ásia repousam grandes luminares que ressuscitarão no último dia da vinda do Senhor, quando virá dos céus com glória em busca de todos os santos: Filipe, um dos doze apóstolos, que repou­sa em Hierápolis com duas filhas suas que chegaram virgens à velhice, e a outra filha, que depois de viver no Espírito Santo, descansa em Éfeso...”.

A cidade antiga de Hierápolis, localizada na muçulmana Turquia, ainda existe e é "colada" à Pamukkale, ambas são tombadas como Patrimônio Histórico Mundial pela Unesco. Hierápolis está situada a 376 metros de altura, no alto de uma colina com uma bela vista da região.

1. Filipe em Jerusalém

Gregos (ou "helenistas") eram judeus de fala grega, principalmente das terras da Dispersão (nomes dados ao conjunto dos judeus que viviam em vários países, fora da Terra Santa, eram mais numerosos do que a população que vivia em Israel). Tiago os cita em sua carta (Tg. 1.1); os hebreus eram judeus de fala aramaica, muitos dos quais, como os apóstolos, eram naturais da Palestina.

1.1 Indicado para ser um dos sete

Não podemos especular nada acerca desses sete homens, excetuan­do-se Estevão, o qual vemos registrado como um homem cheio de fé e do Espírito Santo (At. 6.5). A fé que Estevão possuía não era diferente em essência da fé comum a todos os crentes, porém era excepcional como esse homem estava disposto a confiar em Cristo, crer com simplicidade em Sua palavra, e arriscar tudo por amor de Seu Senhor, como bem estudamos na lição 7. Segundo Antônio Gilberto (BEP), a separação desses sete homens importava, principalmente, em duas coisas: 1) era testemunho público da igreja que esses homens tinham antecedentes de perseverança na piedade e na obediênca à direção do Espírito Santo (1 Tm. 3.1-10); 2) era um ato de separação daqueles homens à obra de Deus e um testemunho da sua disposição em aceitar a responsabilidade da chamada divina.

1.2 Suas virtudes precederam a sua escolha

Imposição de mãos. No NT a imposição de mãos era usada de cinco maneiras:
1) em relação a milagres de curas (At 28.8; Mt 9.18; Mc 5.23; Mc 6.5); 2) ao abençoar outras pessoas (Mt 19.13-15); 3) em relação ao batismo no Espírito Santo (At 8.17-19; At 19.6); 4) na comissão para uma obra específica (At 6.6; At 13.3); e  5) na concessão de dons espirituais através dos presbíteros (1 Tm 4.14). Como um dos meios através do qual Deus transmite dons e bênçãos às pessoas, a imposição de mãos veio a ser uma doutrina fundamental na igreja primitiva (Hb 6.2). Não pode ser dissociada da oração (At 6.6), pois a oração indica que os dons da graça, cura ou batismo no Espírito Santo procede de Deus e não do ser humano.

1.3 Tinha iniciativa para falar de Jesus

Mais do que oposição, que se resume em contrariedade, obstáculo; o que se sucedia era uma grande perseguição dos crentes em Jerusalém. Todavia, havia um propósito permissivo divino que se constituía na pregação da palavra na Judéia, Samaria e até os confins da terra. A perseguição faz parte daquele que quer viver piamente na Palavra de Deus. Mt 5.10; At.8.1; Rm. 8.35; 2 Tm. 3.12.

2.  Filipe em Samaria

At 1.8: "Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra".

        Pela referência bíblica destacada, melhor seria postar o comentário obedecendo à seqüência dada acima.

2.1 Evangelista de multidões

Quem está em Cristo Jesus tem confiança e ousadia para propagar o evangelho da salvação.  At 4.13; 4.29; 4.31; 2 Co 3.12; Ef 3.12.
Os samaritanos ocupavam a região central da Palestina, entre a Judéia e a Galiléia. Eram descendentes dos povos orientais importados pelos assírios (II RS 17.24-29) depois da destruição do reino israelita do norte (722 a.C.), que se misturaram com os nativos israelitas. A quase dez anos, um estudo produzido pela comunidade samaritana estima o seu número em quase 700 pessoas, das quais metade vive em Israel e outra em Nablus na Cisjordânia.

2.2 Poderoso em sinais (quem era poderoso...?) - 1 Pe 4.11; 5.11; Jd 1.25; Ap 5.13.

Filipe enfrentou uma batalha espiritual, cuja vitória só é possível usando os recursos de Deus e as armaduras celestiais. Ef 6.12; Rm 8.38; Sl 140.7.
No final desse tópico a referência bíblica estaria incorreta, quando o certo seria: At. 8.7-8.

2.3 Continuou submisso a Jerusalém

Por entendermos ser crítico o conteúdo do tópico apresentado pelo comentarista, sugerimos o que se segue: De Jerusalém, quando os apóstolos tomaram conhecimento do que acontecera em Samaria, por meio de Filipe, enviaram Pedro e João, os quais chegaram e oraram com imposição de mãos para que os salvos fossem batizados com o Espírito Santo (ver At 8.14-17). Com seu exemplo evangelizador influenciou aos próprios apóstolos a anunciarem o evangelho em muitas aldeias dos samaritanos ao voltarem para Jerusalém (ver At 8.25).  Essa última referência estaria errada no texto apresentado na revista.
Com relação a questão do batismo em At 8.12,13 está descrito que aqueles que criam eram batizados. O batismo que eles ainda não haviam recebido era o batismo no Espírito Santo conforme está descrito em At 8.15-17.

3.  Filipe em Gaza

A província de Samaria, nos tempos do N.T, estava situada entre a Judéia e a Galiléia (Lc. 17.11). Foi atravessada por Jesus Cristo (Jo 4.4-43), e recebeu a luz do Evangelho (At. 8.5-25). A distância entre Samaria e Jerusalém era de aproximadamente 60 km.

3.1 Um anjo manda Filipe para Gaza (At 8.26-29)

Seria “um” ou “o” anjo do Senhor?  Vejamos as diferentes traduções:

ARA: 8.26: “Um anjo do Senhor falou a Filipe...dizendo: Dispõe-te e vai para o lado do Sul, no caminho...”
ARC: 8.26: “E o anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Levanta-te e vai para a banda do Sul, ao caminho...”
NTLH: 8.26: “Um anjo do Senhor disse a Filipe: — Apronte-se e vá para o Sul, pelo caminho que...”
ACF: 8.26: “E o anjo do SENHOR falou a Filipe, dizendo: Levanta-te, e vai para o lado do sul, ao caminho...”

Segundo a Bíblia de Estudos Pentecostal, na página 386, no contexto do livro de Jz cap. 2, o autor da edição brasileira, o mestre Antônio Gilberto, apresenta um proveitoso estudo sobre Os Anjos, e O Anjo do Senhor, conforme parcialmente transcrevemos abaixo:

·   Anjos. A palavra "anjo" (hb. malak; gr. angelos) significa "mensageiro". Os anjos são men­sageiros ou servidores celestiais de Deus (Hb 1.13,14), criados por Deus antes de existir a terra (Jó 38.4-7; SI 148.2,5; CI 1.16).
·   Os anjos executam numerosas atividades na terra, cumprindo ordens de Deus. Desempe­nharam uma elevada missão ao revelarem a lei de Deus a Moisés (At 7.38; Gl 3.l9; Hb 2.2). Seus deveres relacionam-se principalmente com a obra redentora de Cristo (Mt 1.20,24; 2.13; 28.2; At 1.10; Ap 14.6,7). Regozijam-se por um só pecador que se arrepende (Lc 15.10), servem em prol do povo de Deus (Dn 3.25; 6.22; Mt 18.10; Hb 1.14), observam o comportamento da congregação dos cristãos (1 Co 11.10; Ef 3.10; 1 Tm 5.21), são portadores de mensagens de. Deus (Zc 1.14-17; At 10.1-8; 27.23,24), trazem respostas às orações (Dn 9.21-23; At 10.4); às vezes, ajudam a interpretar sonhos e visões proféticas (Dn 7.15,16); fortalecem o povo de Deus nas provações (Mt 4.11; Lc 22.43), protegem os santos que temem a Deus e se afastam do mal (SI 34.7; 91.11; Dn 6.22; At 12.7-10), castigam os inimigos de Deus (2 Rs 19.35; At 12.23; Ap 14.17-16.21), lutam contra as forças demoníacas (Ap 12.7-9) e conduzem os salvos ao céu (Lc 16.22).
·   O Anjo do SENHOR realizou várias tarefas semelhantes às dos anjos, em geral. Às vezes, simplesmente trazia mensagens do Senhor ao seu povo (Gn 22.15-18; 31.11-13; Mt 1.20). Noutras ocasiões, Deus enviava o seu anjo para suprir as necessidades dos seus (1 Rs 19.5-7), para protegê-los do perigo (Êx 14.19; 23.20; Dn 6.22) e, ocasionalmente, destruir os seus inimigos (Ex 23.23; 2 Rs 19.34,35; Is 63.9). Quando o próprio povo de Deus rebelava-se e pecava grandemente, este Anjo podia ser usado para destruí-los (2 Sm 24.16,17). A identidade do Anjo do Senhor tem sido debatida, especialmente pelo modo como ele freqüentemente se dirige às pessoas. Note os seguintes fatos: (a) em Jz 2.1, “O Anjo do Senhor diz: Do Egito Eu vos fiz subir, e Eu vos trouxe à terra que a vossos pais Eu tinha jurado, e Eu disse: Eu nunca invalidarei o meu concerto convosco”. Comparada esta passagem com outras que descrevem o mesmo evento, verifica-se que eram atos do Senhor, o Deus do concerto dos israelitas. Foi Ele quem jurou a Abraão, a Isaque e a Jacó que daria aos seus descendentes a terra de Canaã (Gn 13.14-17; 17.8; 26.2-4; 28.13); Ele jurou que esse concerto seria eterno (Gn 17.7), Ele tirou os israelitas do Egito (Êx 20.1,2) e Ele os levou à terra prometida (Js 1.1,2). (b) Quando o Anjo do Senhor apareceu a Josué, este se prostrou e o adorou (Js 5.14). Essa atitude tem levado muitos a crer que esse Anjo era uma manifestação do próprio Senhor Deus; do contrário, o Anjo teria proibido Josué de adorá-lo (Ap 19.10; 22.8,9). (c) Ainda mais explicitamente, o Anjo do Senhor que apareceu a Moisés na sarça ardente disse, em linguagem bem clara: "Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó" (Êx 3.6; ver Gn 16.7 nota; Êx 3.2 nota). Segundo Antônio Gilberto, o Anjo do Senhor está tão estreitamente identificado com o próprio Senhor, e por­que Ele apareceu em forma humana, alguns consideram que era uma aparição do Cristo eterno, a segunda pessoa da Trindade, antes de nascer da virgem Maria.

3.2 Filipe mostra Cristo através das Escrituras (At 8.32-34 inclua-se o vers. 35)

Os Judeus do primeiro século não falavam muito a respeito do Messias sofredor. Eles acreditavam e ensinavam que o sofrimento anunciado por Isaías era uma referência ao sofrimento da nação de Israel diante do domínio estrangeiro. É provável que o etíope tenha ouvido apenas esse ensinamento quando esteve em Jerusalém, porém tinha algumas dúvidas a esse respeito. No entanto, Filipe mostrou-lhe que o servo sofredor era JESUS. Ele teve de sofrer na cruz por causa dos pecados de toda a humanidade (Hb 12.2; Jo 3.16).

3.3 Filipe batiza o Eunuco (At 8.38)

Candace, rainha dos etíopes: Candace possivemente, de acordo com historiadores (Strabo, Geógrafo e historiador grego, 50 a.C.; e Plínio, primeiro século, História Natural) não era nome próprio, mas o título das governadoras do reino (conforme "Faraó").
Outro fato importante é que o carro parou e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco (vers. 38), caracterizando o batismo por imersão. Na Bíblia encontramos outros argumentos fortes defendendo esse tipo de batismo, como nos seguintes casos: Mt 3.16, onde diz que Jesus "batizado, saiu logo da água", aqui nota-se que Ele havia entrado na água. Ainda nessa linha de raciocínio, encontramos em Jo 3.23: "porque havia ali muitas águas". Logicamente, caso se estivesse apenas borrifando ou derramando água para realizar o batismo, porque haveria de existir em bastante quantidade? Paulo compara o batismo a um sepultamento (Cl 2.12, Rm 6.3-6). Não sepultamos um corpo jogando apenas uma pá de terra sobre ele nem tentaríamos sepultar o velho homem do pecado simplesmente com umas poucas gotas de água. A imersão está no plano de Deus para o batismo do crente.

O batismo nas águas salva? Vejamos o que diz o comentarista da Bíblia de Estudo Pentecostal, na nota da passagem bíblica, a seguir, transcrita:

1 Pe 3.21: "Que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, o batismo, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo".

Como uma verdadeira figura vos salva, o batismo. O batismo em água tem a ver com a salvação, considerado como uma fiel expressão do nosso arrependimento, da nossa fé em Cristo e do nosso compromisso de deixar o mundo. Ele fala da nossa confissão e promessa de que pertencemos a Cristo e morremos e ressuscitamos com Ele (At 2.38,39; Rm 6.3-5; 10.9,10; Gl 3.27; CI 2.12). Note a comparação com o dilúvio (1 Pe 3.20): assim como a obediência de Noé às instruções de Deus, no tocante ao dilúvio, foi um testemunho da sua fé antes do dilúvio, assim também o passar pelas águas do batismo é um testemunho alusivo à nossa fé, como meio de salvação em Cristo; fé esta que tínhamos antes de sermos batizados.   
       
4.  Filipe, um obreiro exemplar

At 21.9. Vemos aqui o cumprimento do que Pedro disse em seu discurso em At 2.17, que os filhos e jovens receberiam a promessa do derramamento do Espírito Santo para profetizar, dentre outras maravilhas. Nesse tópico, Paulo passaria em Cesaréia (At 21.8), onde seria recebido por Filipe, em sua terceira viagem missionária.

4.1 Buscava fazer o melhor para Deus

A execução de Estêvão foi o sinal para uma campanha mais decisiva de repressão. A grande comunidade de crentes de Jerusalém foi dispersa por toda a Palestina e até às suas fronteiras. Entretanto, a dispersão causou mais bem do que mal à causa; os que desse modo foram espalhados levaram consigo as boas novas e a disseminaram por toda parte. Filipe, um dos sete, partiu de Jerusalém para Samaria, cuja população semijudaica passou ele a evangelizar. Até então o evangelho fora anunciado só a judeus.
A corrente majoritária dos estudiosos da Bíblia afirma ser Cornélio o primeiro gentio a converter-se ao cristianismo. Todavia, ao observarmos o que se passou em At 8.37-38, verificamos a potencial aceitação da doutrina de Cristo por parte do eunuco (Etíope), através de Filipe. Não se pode afirmar que o eunuco era seguramente gentio. Pode ser que fosse um descendente de judeu que nascera fora da região da Palestina. Os indícios quanto a isto está no fato dele regressar de Jerusalém para onde tinha ido para a adoração, e além disto ele tinha em suas mãos o livro do profeta Isaías, o que indica sua familiaridade com as Escrituras.

4.2 Era um homem sensível a voz do Espírito

Nunca devemos repelir, ignorar ou rejeitar o Espírito Santo. Se lembrarmos que aquele que habita em nós é o próprio Espírito de Deus, seremos muito mais seletivos quanto ao que pensamos, lemos, vemos, dizemos e fazemos (Rm. 8.9; 1 Co 6.19; 2 Tm 1.14).

4.3 Era homem de aliança

“Arraial” quer dizer acampamento (Ex 16.13), e não seria um termo ideal a tratar aqui, melhor seria dizer “convívio”. Os infiéis da verdade de Deus, corruptos de entendimento, devem ser privados da convivência com os salvos (1 Tm. 6.6), até que verdadeiramente sejam atingidos e libertos pela verdadeira conversão (Jo 8.32 e 35). Lembremos que a nossa luta não é contra a carne, nem contra o sangue (Ef 6.12).

Conclusão

Uma unção especial. Seria essa uma unção diferenciada?

O crente recebeu uma unção da parte de Cristo, a saber; o Espírito Santo (2 Co 1.21-22), a unção que nos dá conhecimento e verdade (1 Jo 2.20; 1 Jo 2.27). É um equívoco do comentarista, visto que andamos num mesmo Espírito (1 Co 6.17; 2 Co 4.13; 12.18 e Fp 1.27) e fazemos parte de um povo, agora sim, especial (Dt 7.6 e Tt 2.14).

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

LIÇÃO 7 - ESTEVÃO, SERVINDO A DEUS COM A SUA MORTE

Igreja Evangélica Assembléia de Deus
Av. Brasil, 740 – Juiz de Fora - MG
Elaboração da Aula para os Professores da Escola Dominical
Revista: Atos dos Apóstolos
Prof. Dc João Paulo Cruz – Classe Bereanos

Primeiro contato

Sinagoga – Era uma casa de oração. Local onde os judeus se encontravam para encontrar, adorar, orar e estudar a escritura.  Sua origem provavelmente ocorreu após a destruição do Templo em Jerusalém pelos babilônicos em 586 a.C., devido à vontade de continuar ensinando a lei e a mensagem dos profetas. Em Ne 8.1-8 a comunidade de exilados se ajuntou em Jerusalém e Esdras em um púlpito de madeira começa a ler a lei e a interpretar de forma que o povo entendesse, quando o escriba abençoou o Senhor, o povo abaixou a cabeça e adorou. Esses elementos tornaram-se básicos na sinagoga. A primeira evidência de sinagoga vem do Egito ano 3 a.C.
As Escrituras nos dão impressão de várias sinagogas existentes na palestina:

·   Jesus freqüentemente ensinava nas sinagogas (ver Mt 4.23; 9.35; Jo 18.20).
·   Sinagoga em Jerusalém (At 6.9), em, Damasco (At 9.2), em Chipre (At 13.5), em Antioquia(At 13.14), Macedônia e Grécia (At 17.1,10, 17; 18.4) e Éfeso (At 19.8).

Os Evangelhos e o livro de Atos geralmente falam da reunião do povo judeu no sábado para adorar na sinagoga. As pessoas também se encontravam para adorar no segundo e no quinto dia da semana. O culto na sinagoga começava com a confissão da fé recitando Dt 6.4-9, 11.13-21 e Nm 15.37-41, seguido de oração e leitura das escrituras. A leitura da lei era básica (veja Atos 15.21) e era feita de acordo com um ciclo de três anos. Os profetas também eram lidos, mas mais casualmente. Aí vinham as interpretações. Conforme o conhecimento do hebraico bíblico foi diminuindo na palestina, uma tradução em aramaico das escrituras era lida depois da leitura em hebraico. Depois disso um discurso era dado. Qualquer um que fosse qualificado poderia falar ao povo, como fazia Jesus e o apóstolo Paulo. O culto terminava com uma benção. O trabalho da sinagoga também incluía a administração da justiça. Aqueles que infringiam a lei ou que eram acusados de atos contrários a lei judaica eram trazidos diante dos anciãos da sinagoga. Eles podiam, em circunstâncias extremas, excluir o ofensor da sinagoga (ver 9.22, 34-35; 12.42) ou mandar que ele fosse açoitado. Jesus avisou os seus discípulos para estarem preparados para enfrentar qualquer uma das duas situações (Mt 10.17; Jo 16.2). Saulo, como perseguidor dos cristãos, enviou cartas endereçadas à sinagoga de Damasco. Foi-lhe dada autorização para prender cristãos e trazê-los de volta a Jerusalém (At 9.2).
A leitura da lei era o significado central de adoração. Os ensinamentos da lei, especialmente para crianças, eram intimamente associados com a sinagoga.
O Novo Testamento se refere (Mc 5.22, Lc 13.14; At 18.8,17) a dois cargos em particular na sinagoga. O "governador da sinagoga" que era responsável pela ordem e pela seleção do leitor da escritura. Um atendente (Lc 4.20) que tirava e guardava os rolos da escritura. Mais tarde uma pessoa foi escolhida como líder de oração.
A sinagoga dos Libertos era formada por descendentes de judeus levados cativos para Roma que foram libertos, junto com outros judeus das regiões de Cirene, de Alexandria, Cilicia e Ásia.

Texto Áureo

No contexto deste versículo, Jesus fala de sua morte na cruz em termos de glorificação e não de tragédia, mostra que o caminho da frutificação passa pelo sofrimento (Tg 1.2.4; Rm 8.28; Fp 4.13).

Verdade Aplicada

Estevão honrou a Deus tanto em sua vida quanto em sua morte, visto que foi reconhecido nele, sabedoria, graça, poder e uma vida cheia do Espírito Santo.  Talvez muitos queiram que depois de sua morte seus ossos ressuscitem alguém assim como os ossos do profeta Elizeu. Mas o importante é fazermos enquanto há tempo e honrarmos o nome do Senhor já (Jo 4.23-24; Mt 25.14-31; Cl 3.23).
Não espere para honrar a Deus com sua morte porque pode ser tarde demais!

Introdução

Estevão era possivelmente um judeu helenista, ou seja, um daqueles judeus que falavam grego como única ou segunda língua, além do aramaico, por causa da diáspora (dispersão dos judeus devido a domínios estrangeiros).

1. Estevão, um homem notável

1.1 Foi o primeiro
1.2 Destacou-se por suas virtudes (At 6.5)
1.3 Admirado pelos sinais que operava (At 6.8)

Como estudamos semana passada, a eleição dos 7 primeiros diáconos foi dada a igreja, mas esta também recebeu a regra da eleição: Os eleitos deveriam ter boa reputação, sabedoria e ser cheio do Espírito Santo. Com base nisso e com o seu nome no começo da lista entendemos que nele havia as condições necessárias para exercer tal função. Entendemos que os primeiros diáconos eram revestidos de poder e fé de forma suficiente para que esses sinais e maravilhas que os seguiam testificassem do Cristo ressurreto.
Com habilidade literária, Lucas nos concedeu uma visão das condições da igreja antes de iniciar o relato do terceiro processo, de sangrenta gravidade. Pudemos tomar fôlego antes de presenciar atentamente o destino de Estêvão. “Estêvão”, esse nome aparece diretamente no topo da nova passagem. Acabamos de conhecê-lo na eleição dos “sete” como “homem cheio de fé e do Espírito”. Agora se afirma que era “cheio de graça e poder”. Os homens da Bíblia não são pensadores e teóricos, que desenvolvem sistemas de visão de mundo ou teológicos sobre Deus, mas são testemunhas do Deus vivo, por meio dos quais Ele atua. Porque a graça de Deus, por sua vez, tampouco é mera intenção amigável dele, e sim uma ação poderosa de socorro. “Graça e poder” formam uma unidade. Graça impotente de nada adianta, e poder sem graça é terrível. Porém “graça e poder” fazem “grandes prodígios e sinais entre o povo”. Curas e outros auxílios de cunho admirável na atuação de Estêvão dirigem o olhar para Jesus. Portanto, os apóstolos não são os únicos que Deus confirma através desses meios (Sl 34.19; Sl 132.1; 2 Co 6.4; Cl 1.24; 2 Tm 2.3; Hb 10.32; Jo 16.33; 2 Tm 4.5; 2 Co 1.5-7; Sl 25.17; Rm 8.18; 1 Pe 4.13; 2 Ts 1.4; 2 Tm 3.11; 1 Pe 5.9; 2 Tm 1.8; Hb 2.10; Tg 1.12; 1 Pe 2.19).

2. Estevão sofre oposição

Neste caso, entendemos o que o comentarista nos fala sobre “nova visão” uma mensagem diferente do que era ouvida nas sinagogas, mas temos uma preocupação com esse tipo de termo, vivemos numa era de um “novo evangelismo”, “nova unção”, “novo evangelho”, “novos adoradores”, “novos louvores”.
Não há nada de novo na igreja, pois tudo foi arquitetado desde a fundação do mundo.

Ef 1.4 – “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor”.

Ef 3.9 – “E demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo”.

2 Tm 1.9 – “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos”.

2.1 A disputa com Estevão (At 6.9,10)

Nunca houve algo como uma “doutrina de Estevão”.
Nas sinagogas todo israelita poderia ler as escrituras e comentar alguma coisa a respeito de (Mt 9.35; Lc 4.16-22; At 19.8), foi exatamente isso que Estevão fez na sinagoga dos Libertos.

2.2 O suborno contra Estevão (At 6.11)

Sinédrio – Escola judaica na antiguidade. Seu significado original vem do grego synedrium, que quer dizer “assembléia”.  Era composto, em sua maioria, por membros da nobreza e sacerdotes do Templo, que pertenceriam ao grupo dos saduceus – um segmento judeu ligado à classe dominante da época. O Sinédrio tinha como função primordial a aplicação da justiça do ponto de vista das leis judaicas contidas na Torah.
Assim sendo, além de representar o povo judeu próximo às hierarquias de poder daquele período, prosseguia na responsabilidade do processo ensino-aprendizagem do povo, na medida em que a Torah, tanto escrita quanto oral, era utilizada no desempenho de suas atividades diárias.
O que confirma esta atividade educativa dentro do Templo através do Sinédrio é a existência das principais escolas ao longo de períodos distintos na história do povo judeu: Hilel, Shamai e Gamaliel.  Hilel e Shamai trabalharam na mesma época, criando, respectivamente, a “Casa de Shamai” e a “Casa de Hilel”: Duas escolas que desenvolviam metodologias e atividades educativas sob olhares distintos.
Segundo Cecil Roth, “Hilel fazia-se notar pela humildade e pela inclinação à tolerância. (…) Shamai tinha um ponto de vista rigoroso sobre questões morais e religiosas…” (1967, p.602 e 1083).  Gamaliel, além de neto de Hilel, foi Presidente do Sinédrio e apresentado no Novo Testamento, como professor de Paulo de Tarso. Hilel e Shamai fizeram parte da primeira geração de estudiosos e responsáveis pelo ensino de muitos, através dos preceitos da Torah e do Talmude. Suas escolas foram de extrema relevância educacional para o povo judeu. Entretanto, Hilel sempre teve maior destaque por suas características pessoais que repercutiam em sua metodologia e forma de trabalho. A presidência do Sinédrio aconteceu com o passar do tempo.

“Ele foi o primeiro dos autores da Mishná a afirmar que o judaísmo tinha como objetivo implementar o cumprimento dos deveres de cada indivíduo em relação a seu próximo e que todos os mandamentos são meios para alcançar esta finalidade. Também foi o primeiro a estabelecer o princípio do amor fraterno como condição principal para todos os mandamentos da Torá” (Morashá, edição 25)

O Sinédrio foi um espaço onde a pedagogia estava debruçada sobre os valores éticos e morais, através da Torah.  E Hilel, Shamai e Gamaliel foram responsáveis, cada qual em seu tempo, pela consolidação e sustentação das práticas educativas para crianças e jovens. Determinando que essas escolas rabínicas que funcionavam no Sinédrio, respondem pela edificação dos alicerces do processo de assimilação do ensino judaico.

2.3 Arrebatado dentre o povo e acusado (At 6.8-15)

“Blasfêmia contra Moises, Lei e o Templo.”

Ali se providenciam imediatamente “falsas testemunhas”. Não precisam ter sido novamente homens que mentem conscientemente e apresentam afirmações arbitrárias; isso teria pouco peso. Quando declararam: “Esse homem não cessa de falar contra o lugar santo e contra a lei; porque o temos ouvido dizer que esse Jesus, o Nazareno destruirá este lugar e mudará os costumes que Moisés nos deu”, eles na realidade prestaram atenção nos pontos decisivos. Ao que parece, Estêvão argumentou com a misteriosa palavra de Jesus sobre o Templo (Jo 2.19-21; Mt 26.61; 27.40), que já tivera peso no processo contra o próprio Jesus. Da mesma forma poderia ter sido debatida a posição de Jesus frente ao sábado. Com quanta rapidez essas palavras podem ser entendidas equivocadamente! Por isso, na época da Reforma, muitos bons católicos podem ter pensado com sincera indignação que Lutero falava “blasfêmias” contra o papa e a santa igreja, arrasando e destruindo tudo em que se apega o coração de uma pessoa devota. Era evidente que, ao contrário dos inquéritos anteriores contra os apóstolos, essas declarações de testemunhas mostravam pontos de acusação concretos contra o Sinédrio, os quais forçosamente atingiam os dois grupos componentes, os saduceus e os fariseus, e os enfureciam contra Estêvão. “E todos os que estavam assentados no Sinédrio fitaram os olhos nele, e viram seu rosto como se fosse rosto de anjo.” Com certeza não nos cabe explicar esse dado erroneamente de forma psicológica. Aqui havia mais do que mero “brilho” humano. Contudo, como no caso de Ananias, Deus também pode ter usado, para o juízo, o susto súbito do culpado que foi desmascarado, assim também no caso de Estêvão faz parte de sua glorificação, nessa hora, tudo o que preencheu seu coração e sua vida com a alegria em Jesus, com a paz da plena certeza de salvação, com o amor que buscava e desejava salvar seu povo. Por essa razão, o Sinédrio não constata em seu rosto o medo da pessoa que se vê à mercê de uma turba agitada e do ódio de seus inimigos, nem a indignação de alguém que foi tratado com injustiça. Não a superioridade de alguém de maior conhecimento, mas o brilho de um mensageiro de Deus cheio de verdade, santidade e amor.

3. O martírio de Estevão

Hc 1.13 – “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal, e a opressão não podes contemplar. Por que olhas para os que procedem aleivosamente, e te calas quando o ímpio devora aquele que é mais justo do que ele?”

Hc 2.4 – “Eis que a sua alma está orgulhosa, não é reta nele; mas o justo pela sua fé viverá”.

Pv. 14.5 – “A verdadeira testemunha não mentirá, mas a testemunha falsa se desboca em mentiras”.

Contra Moises, a Lei e o Templo:

Jo 1.17 – “Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo”.

Jo 3.14 – “E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado”.

2 Co 3.1 – “E até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles.

Hb 10.38 – “Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas”.

Hb 3.3 – “Porque ele é tido por digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a edificou”.

Rm 7.22 – “Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus”.

Gl 5.18 – “Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei”.

3.1 O sermão apologético

Mt 17.2 – “Jesus: E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz”.

Ex 34.35 – “Assim, pois, viam os filhos de Israel o rosto de Moisés, e que resplandecia a pele do seu rosto; e tornava Moisés a pôr o véu sobre o seu rosto, até entrar para falar com ele”.

2 Co 3.7 – “E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos na face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual era transitória”.

2 Co 3.13 – “E não somos como Moisés, que punha um véu sobre a sua face, para que os filhos de Israel não olhassem firmemente para o fim daquilo que era transitório”.

3.2 A sua severa repreensão (At 7.51-53)

Estevão diferentemente dos apóstolos não é acusado apenas de falar sobre Jesus e sobre a autoridade que estava sobre ele. Ele é acusado (mesmo que falsamente assim como foi Jesus) de blasfemar contra Deus, contra Moises, a Lei e o Templo. Estevão é levado ao Sinédrio e uma multidão alvoroçada esperava para condená-lo (Lv 24.16).
Ele também não consegue refutar as acusações contra ele, como Pedro fez, com uma síntese, justificando sua ação com breve testemunho.
No começo de seu discurso mostra que também é de Israel (irmãos), respeito “pais” do povo. Começa uma exaustiva descrição da História de Israel.
No entanto, tudo isso são detalhes pequenos que permanecem sem importância para o entendimento do próprio discurso de Estêvão. São duas grandes verdades que Estêvão lança contra seus acusadores e o Sinédrio, e com as quais o acusado se torna acusador, exatamente como Pedro, a partir da escritura. Como não pode deixar de acontecer num olhar tão intensivo para a escritura, em primeiro lugar e acima de tudo está diante de nós Deus com toda a sua soberania e liberdade. Estêvão começa assim: “O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão”. Nenhum “mérito” moveu Deus para manifestar-se justamente a ele. Naquele tempo Abraão ainda estava “na Mesopotâmia”, ou seja, no mundo gentio. A livre escolha de Deus o separou, começando assim a história de Israel mediante sua própria graça. Logo não existe nenhum “orgulho” justificado do judeu. Com essa afirmação Estêvão acerta imediatamente o ponto mais profundamente vulnerável, a partir do qual explode toda a fúria contra ele: É o orgulho falso que se rebela contra o chamado ao arrependimento. Também nesse aspecto Estêvão traçou a linha que mais tarde Paulo (ouvinte desse discurso de Estêvão!) retoma em Rm 9-11. Toda a vasta história de Israel situa-se sob esse poder determinante de Deus, que continua sendo, por meio de suas promessas e prenúncios na admirável história de José e no magnífico envio de Moisés, aquele que age e salva por livre iniciativa. Não é Estêvão que “blasfema contra Deus”, e sim seus acusadores, quando negam ao Deus da glória essa liberdade e o poder de sua graça, pelos quais voltou a agir quando enviou Jesus. Conseqüentemente, Estêvão de fato conduziu sua defesa “cheio do Espírito e de sabedoria” (At 6.10) à profundidade, destacando a questão realmente determinante. Não o fez com palavras próprias, mas inteiramente com a Bíblia, confiando que seus juízes versados na Escritura o entenderiam. Nisso ele necessária e involuntariamente passou para o ataque.
Na seqüência se revela em toda a história de Israel, como segundo ponto, a mesma oposição antagônica à liberdade e graça de Deus que agora irrompe plenamente na rejeição a Jesus.

3.3 A reação imediata do conselho

Atos 7.54-8.1: Eis aqui um texto clássico sobre a ação da Trindade sustentando o cristão fiel: O Espírito Santo o enche com paz e verdadeiro amor (v. 60; Gl 5.22). A glória de Deus se manifesta evidente, trazendo firmeza e esperança (Jo 17.5,24; 1 Pe 1.5-8). Jesus Cristo, o Messias é exaltado. E, “em pé”, assim como o pai com muitos filhos pródigos, abre os braços e os céus para os crentes (Mc 14.62).
A palavra de Estevão, ao invés de gerar arrependimento, produziu mais ira e indignação, pois os argumentos foram os mesmos que levaram Jesus à cruz. A expressão aqui traduzida por atiraram-se, no original grego tem o sentido de “linchamento sumário”.  As “testemunhas”  isto é, as primeiras pessoas que acusaram Estevão tiveram o privilégio de atirar as primeiras pedras contra ele, e depositaram suas vestes aos pés de Saulo, membro do Sinedrio e que mais tarde seria convertido pelo próprio Jesus Cristo.

4. Condenação sumária de Estevão

4.1 Unânimes contra ele (At 7.54,47)
4.2 O apedrejamento (At 7.59)
4.3 O jovem Saulo na ocasião

Estevão morreu seguindo o exemplo de Jesus, seu Mestre (1 Pe 2.21.24) e teve o privilegio de nos legar a descrição sumarizada do momento mais almejado na vida de um cristão, o seu encontro com o Senhor no céu. Diante do sofrimento da morte e da glória que o vislumbrava, Estevão buscou forças para suplicar a Deus pela salvação de muitos daqueles que ali estavam (como Saulo, por exemplo), cujas mentes e os corações estavam completamente endurecidos para a verdade e o Reino, mas que careciam de mais uma oportunidade a fim de que não perdessem a glória eterna que Estevão já podia contemplar, enquanto sua vida na terra se esvaía, outro exemplo de Cristo (Lc 23.24).

Conclusão

Ao ser semeado em Jerusalém o sangue de Estevão frutificou para muito além dos seus muros, tratando-se de uma morte que conduziu muitos à vida (Jo 12.24), e, como conseqüência direta do seu martírio, pelo menos quatro situações podem ser enumeradas: a) a  jornada evangelística de Filipe (8.4-40; b) a conversão de Saulo (9.1-30; c) a viagem missionária de Pedro (9.32-11.18 e d) a fundação da igreja em Antioquia da Síria (11.19).

“O fogo de Deus não pode ser apagado pelas águas da perseguição dos homens” (A.W.Tozer).
Referências Bibliográficas:
Bíblia Ilumina
Centro de Pesquisa da Antiguidade. Sinédrio - Escola Judaica na Antiguidade. Disponível em: http://cpantiguidade.com/2010/07/30/sinédrio-escola-judaica-na-antiguidade/. Acesso em: 06/02/2011.
Boor, Werner de. Atos dos Apóstolos. Curitiba, PR: Editora Evangélica Esperança, 2003.