sexta-feira, 25 de maio de 2012

LIÇÃO 9 - AS SETE TAÇAS DA IRA DE DEUS

Igreja Evangélica Assembléia de Deus
Av. Brasil, 740 – Juiz de Fora - MG
Elaboração da Aula para os Professores da Escola Dominical
Revista: Apocalipse
Prof. Magda Narciso Leite – Classe Sara

Texto Áureo: “E vi outro grande e admirável sinal no céu: Sete anjos que tinham as sete últimas pragas, porque nelas é consumada a ira de Deus” (Ap 15.1).

Verdade Aplicada: Só entenderemos as maravilhosas implicações de pertencer à igreja, quando formos arrebatados para estar para sempre com o Senhor.

Objetivos da Lição:

·   Exaltar a importância da igreja e o privilégio incomparável de pertencer a ela.
·   Enfatizar que estaremos prontos para julgar o mundo quando amarmos justiça e a santidade.
·   Deixar claro que só serão julgados por Deus aqueles que se recusarem a sofrer a disciplina do Senhor.

Textos de Referência: Ap 15.5,6; 16.1,7,17

Introdução: Você estudou na lição anterior que a pregação do Evangelho Eterno será, ao mesmo tempo, apelo à conversão, anúncio da destruição da sociedade fundada na injustiça e na soberba humana e aviso quanto ao destino último da Besta e de seus adoradores. Cumpridas estas etapas o julgamento divino sobre a terra e seus habitantes será concluído e as últimas sentenças serão executadas “porque nelas é consumada a ira de Deus”.

A lição anterior trouxe o relato quanto a visão que João teve dos cento e quarenta e quatro mil selados juntos ao Cordeiro no monte Sião. O monte Sião no texto de Ap 14.1 além de trazer um vislumbre quanto à sede do futuro Reino Milenar de Jesus Cristo, sendo esta em Jerusalém, é também uma figura de linguagem para o céu (ver Hb 12.22,23), o que indica a presença dos cento e quarenta e quatro mil selados junto ao Cordeiro no céu depois destes cumprirem o seu ministério na terra (ver Ap 14.2-5). O texto de Ap 14-15 prossegue apresentando ainda os seguintes acontecimentos antes de se ter início o derramamento das sete taças da ira de Deus:

·   Em Ap 14.6-13 João relata a visão de três anjos que proclamam o evangelho eterno e os juízos de Deus a todos os habitantes da terra, e a toda nação, e tribo e língua e povo.

·   Em Ap 14.14-20 a visão de João diz respeito a ceifa e a vindima, quando então no período dos três anos e meio finais da Grande Tribulação, gentios e judeus estarão sendo preparados para a batalha do Armagedom. João tem uma antevisão da batalha, porém o ajuntamento de judeus e gentios para esta batalha somente acontece depois do derramamento da sexta taça descrita em Ap 16.12-16, sendo o seu cumprimento final descrito em Ap 19.11-21.

·   Em Ap 15.2-4 a visão de João diz respeito aos salvos do período final da Grande Tribulação antes de se ter início o derramamento das sete taças da ira de Deus. Muitos são vistos no céu tendo saídos vitoriosos da besta, e da sua imagem, e do seu sinal, e do número do seu nome, tendo provavelmente sofrido o martírio por amor ao Senhor Jesus e a sua palavra (ver Ap 13.10; 14.12,13).

·   Em Ap 15.5-8 a visão de João diz respeito aos últimos preparativos no céu para que tenha então início o derramamento das sete taças da ira de Deus sobre a terra.

Esta lição fala da ceifa e da vindima, da antevisão que João tem da batalha do Armagedom; do anúncio feito pelos três anjos antes da visão da ceifa e da vindima; dos últimos preparativos no céu para dar início ao derramamento das taças e do derramamento de quatro taças dos juízos de Deus.
  
1. Curiosidades iniciais A seção intitulada “A ceifa e a vindima” (Ap 14.14-20) faz parte dos preparativos para o derramamento das últimas pragas da ira de Deus, por isso, foi incluída nesta lição. Nela aparecem quatro anjos que somados aos três de Apocalipse 14.6-13 perfazem um total de sete. Pelas suas características parecem apontar para os anjos das trombetas em Apocalipse 8.2, e para os que derramarão os sete cálices do furor de Deus sobre a terra.

Em Ap 8.2, João relata a visão de sete anjos que estavam diante de Deus aos quais foram entregues as sete trombetas do juízos de Deus: “E vi os sete anjos que estavam diante de Deus, e foram-lhes dadas sete trombetas”. Na seção intitulada “A ceifa e a vindima”, posterior ao anúncio do evangelho eterno e dos juízos de Deus feito por três anjos em Ap 14.6-11, João vê assentado sobre uma nuvem branca “um semelhante ao Filho do Homem” e depois três outros anjos. As características destes sete em Ap 14.6-20, pelo menos em parte, não parecem apontar para os anjos das trombetas em Ap 8.2 e nem para os sete anjos que tem as sete pragas em Ap 15.1 “E vi outro grande e admirável sinal no céu: Sete anjos que tinham as sete últimas pragas, porque nelas é consumada a ira de Deus”, pois notadamente Aquele assentado sobre uma nuvem branca semelhante ao Filho do Homem é o próprio Senhor Jesus Cristo. O que estas passagens têm em comum é o número sete que traz em si o ensino quanto a perfeição de Deus em seus propósitos e na aplicação de seus juízos.

1.1 O anjo de coroa na cabeça e foice na mão – Apocalipse 14.14 e Daniel 7.13 indicam que esse [...] é o Senhor: Esse alguém como “Filho do Homem” é uma figura de Cristo, que está pronto para lançar a foice do julgamento, em um mundo já amadurecido pela maldade e perversidade. É bom observar que o anjo não dá ordem ao que está assentado, ele clama, como alguém que sabe o momento de agir. [...].

1.2 A colheita final – [...] Serão condenados os [...] habitantes da terra, os adoradores da Besta [...]. Os cachos de uvas serão colhidos e lançados no lagar da ira de Deus (Ap 14.19), “mas o trigo, ajuntai-o no meu celeiro” (Mt 13.30).

O texto de Ap 14.14-20 pode ser dividido em duas partes. O trecho referente aos versículos 14 a 16 trata da ceifa estando esta relacionada, segundo escreve A. Gilberto (2000, p. 158) às nações gentílicas e o trecho referente aos versículos 17 a 20, segundo o mesmo autor, trata da vindima estando esta relacionada à nação de Israel. João começa trazendo o relato quanto a visão de “uma nuvem branca e, assentado sobre a nuvem, um semelhante ao Filho do Homem, que tinha sobre a cabeça uma coroa de ouro e, na mão, uma foice aguda”. Sendo o termo “Filho do Homem” uma linguagem referente ao Senhor Jesus (ver Dn 7.13) e o branco símbolo de justiça, a expressão utilizada por João identifica Aquele que estava assentado sobre a nuvem como sendo o próprio Senhor Jesus em sua majestade como Rei, estando Ele pronto a exercer justiça, e daí Ele ter em sua mão “uma foice aguda”. A sega que é então descrita no versículo 16 e que é realizada pelo próprio Senhor Jesus “E aquele que estava assentado sobre a nuvem meteu a sua foice à terra, e a terra foi segada” trata-se do julgamento do Senhor sobre as nações gentílicas amadurecidas então pela maldade, perversidade, iniqüidade etc..., sendo isto notadamente reconhecido pelo anjo que sai do templo e que clama com grande voz: “Lança a tua foice e sega! É já vinda a hora de segar, porque já a seara da terra está madura”. Através da foice em suas mãos, Jesus faz separação entre os bons e os maus, e desta forma, as nações gentílicas sofrerão os juízos das taças que ocasionará a morte de muitos (vidas ceifadas), e além disto estas nações serão também conduzidas a se agruparem para a batalha do Armagedom que terá então ocasião no final dos últimos três anos e meio da Grande Tribulação. Acerca de Ap 14.14-16, W. Malgo (2000, v. 3, p. 83) escreve:

“‘...E aquele que estava sentado sobre a nuvem passou sua foice sobre a terra, e a terra foi ceifada’. Uma ceifa estranha, que não podemos compreender racionalmente! Essa ceifa de juízo engloba todas as catástrofes, que acontecerão em breve sobre esta terra. As taças da cólera de Deus serão derramadas; para horror de todo o mundo, Babilônia desmorona com grande barulho; são cortados os mais importantes nervos vitais, seus adornos reais, sendo coberta de pragas, miséria e fogo. Se João diz aqui: ‘...e a terra foi ceifada’, então ele fala da conclusão definitiva desta era da graça, como fez também o Senhor quando estava sobre a terra: ‘a ceifa é a consumação do século’ (Mt 13.39). Esse é o curto, mas gravíssimo, conteúdo da visão de João sobre Armagedom, sobre a luta final dos povos, que é descrita detalhadamente em Apocalipse [...]  16”.

Em Ap 14.17, João vê saindo do templo, “que está no céu, outro anjo, o qual também tinha uma foice aguda”. Na seqüência, ele vê sair do “altar outro anjo, que tinha poder sobre o fogo, e clamou com grande voz ao que tinha a foice aguda, dizendo: Lança a tua foice aguda e vindima os cachos da vinha da terra, porque já as suas uvas estão maduras” (Ap 14.18). A vinha da terra é uma figura de linguagem referente a nação de Israel (ver Sl 80.8-15; Jr 2.21; Os 10.1,2; Jl 1.7), e suas uvas maduras uma figura de linguagem para o Israel apóstata. A vindima que é descrita em Ap 14.19 “E o anjo meteu a sua foice à terra, e vindimou as uvas da vinha da terra, e lançou-as no grande lagar da ira de Deus” trata-se, portanto do juízo de Deus sobre o Israel apóstata da época da Grande Tribulação, sendo este constituído por aqueles que se recusarem a reconhecer o Senhor Jesus como o verdadeiro Messias de Israel. A nação de Israel estará neste período, também sendo conduzida a se agrupar para a batalha do Armagedom, sendo que esta acontecerá no vale do Megido (ver Zc 12.11), o qual é chamado em Ap 14.19 de o grande lagar da ira de Deus. O julgamento das nações gentílicas representado pela ceifa e da nação de Israel representado pela vindima, no grande lagar da ira de Deus é também mencionado pelo profeta Joel em Jl 3.11-13: “Ajuntai-vos, e vinde, todos os povos em redor, e congregai-vos (ó Senhor, faze descer ali os teus fortes!); movam-se as nações e subam ao vale de Josafá; porque ali me assentarei, para julgar todas as nações em redor. Lançai a foice, porque já está madura a seara; vinde, descei, porque o lagar está cheio, os vasos dos lagares transbordam; porquanto a sua malícia é grande”. Em Ap 14.20, João tem uma antevisão desta batalha quando então ele escreve: “E o lagar foi pisado fora da cidade, e saiu sangue do lagar até aos freios dos cavalos, pelo espaço de mil e seiscentos estádios”. Tal linguagem indica o grande número de mortes que acontecerá por ocasião desta batalha tanto no que diz respeito aos gentios agrupados contra Israel quanto no que diz respeito aos judeus que mantiverem os seus corações endurecidos. Acerca desta passagem, W. MacDonald (2008, p. 1011), escreve:

“As uvas maduras são colhidas e lançadas no grande lagar da cólera de Deus. O processo de pisar as uvas para fazer vinho é usado aqui para retratar um julgamento esmagador. A vindima se dará fora da cidade de Jerusalém, talvez no vale de Josafá. A carnificina será tão grande que o sangue correrá como um riacho a uma profundidade correspondente ao nível dos freios dos cavalos e por uma extensão de quase trezentos quilômetros, a distância entre Jerusalém e o sul de Edom”.

1.3 Os três anjos e a proclamação dos juízos (Ap 14.6-13) – Observamos mais uma vez outro vislumbre da graça divina, um último alerta, um último escape. Deus nunca se deixou a si mesmo sem testemunho. Antes de sua manifestação como o Messias de Israel, enviou João Batista (Mt 3.1). Observando o Apocalipse vemos que Deus tem pausado juízos para aplicar sua benigna misericórdia. Agora, os anjos saem antes que as sete últimas taças sejam lançadas na terra. O objetivo da mensagem é que toda tribo, língua e nação tema ao Senhor e lhe dê glória, porque vinda é a hora do juízo (Ap 14.6,7). Na seqüência, o segundo anjo traz a revelação antecipada da queda de Babilônia (a igreja falsa mundial), e o terceiro avisa que os que forem selados pela besta estarão perdidos para sempre (Ap 14.8-11). A conclusão da mensagem é paciência, morte e bem aventurança (Ap 14.12,12). Neste tempo não haverá a frase “sou evangélico”, como muitos apenas a declaram sem ter nada haver com Cristo. Neste tempo, ser cristão não será status, será renunciar a própria vida.

João relata em Ap 14.6-11, antes do relato acerca da ceifa e da vindima, a visão de três anjos que proclamam o evangelho eterno e os juízos de Deus sobre a terra. Tal fato indica que Deus ainda dará aos homens mais uma oportunidade para que estes recebam a salvação eterna antes que tenha início o derramamento das sete taças, nas quais é consumada a ira de Deus sobre a terra. O primeiro anjo é visto a voar pelo meio do céu, tendo “o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda nação, e tribo, e língua e povo” (Ap 14.6b). Este anjo conclama todos a temerem a Deus e dar-lhe glória, advertindo quanto a vinda da hora do seu juízo. O anjo exalta a Deus como o Criador do céu, e da terra, e do mar, e das fontes de águas e desta forma, ele convoca os homens a adorá-lo em contraposição aos acontecimentos na terra onde muitos, encantados com o Anticristo, estarão a este falso messias prestando adoração (ver Ap 13.4). O segundo anjo segue trazendo uma antevisão quanto a queda do falso sistema de religião representado por Babilônia: “Caiu! Caiu Babilônia, aquela grande cidade que a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição!” (Ap 14.8). A queda, porém de fato de Babilônia é relatada somente em Ap 17, e sendo assim a queda sendo vista como já consumada no anúncio feito pelo anjo indica a oportunidade que ainda será dada aos homens para que estes fujam de todo falso sistema de religião, pois estes serão também alvos dos juízos de Deus. O terceiro anjo adverte os homens a não adorarem a besta, ou seja, o Anticristo e sua imagem e também a não receberem o sinal da besta na testa ou na mão, pois o destino daqueles que assim procederem será a participação nos juízos de Deus representados pelas taças. O anjo fala também do destino final daqueles que adorarem a besta, sendo este a perdição eterna, conforme fica subentendido em Ap 14.9-11: “Se alguém adorar a besta e a sua imagem e receber o sinal na testa ou na mão, também o tal beberá do vinho da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro. E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não tem repouso, nem de dia nem de noite, os que adoram a besta e a sua imagem e aquele que receber o sinal do seu nome” (Ap 14.9-11).
Em Ap 14.12, João mostra a importância dos santos, aqueles que ainda estiverem vivos e outros que se converterem durante este período final de Grande Tribulação, perseverarem na fé resistindo ao Anticristo e na obediência aos mandamentos de Deus em meio às perseguições e aos sofrimentos deste período. Na seqüência, João descreve uma voz que vinda do céu, ordena que ele escreva: Bem aventurados os mortos, que desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam” (Ap 14.13). Este versículo indica que muitos salvos, tanto judeus como gentios, morrerão ainda antes do derramamento das sete taças da ira de Deus, sendo estes provavelmente aqueles que são vistos posteriormente por João no céu, conforme se descreve em Ap 15.2-4: “E vi um como mar de vidro misturado com fogo e também os que saíram vitoriosos da besta, e da sua imagem, e do seu sinal, e do número do seu nome, que estavam junto ao mar de vidro e tinham as harpas de Deus. E cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor, Deus Todo-poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos santos! Quem te não temerá, ó Senhor, e não magnificará o teu nome? Porque só tu és santo; por isso, todas as nações virão e se prostrarão diante de ti, porque os teu juízos são manifestos”.  
     
2. Os anjos das sete taças da ira de Deus O capítulo 15 relata a detalhada preparação para o julgamento final. “E os sete anjos... saíram do templo” (Ap 15.6). O juízo provém do mesmo templo celestial. Os anjos saem não como servos ou mensageiros, mas como administradores reais do juízo, cingidos à altura do peito com cintos de ouro. A ira de Deus é repartida entre os sete anjos por um dos seres viventes e estará contida em sete taças de ouro.

Ap 15.5-8: “E depois disto olhei, e eis que o templo do tabernáculo do testemunho se abriu no céu. E os sete anjos que tinham as sete pragas saíram do templo, vestidos de linho puro e resplandecente, e cingidos com cintos de ouro pelos peitos. E um dos quatro animais deu aos sete anjos sete taças de ouro, cheias da ira de Deus, que vive para todo o sempre. E o templo encheu-se com a fumaça da glória de Deus e do seu poder; e ninguém podia entrar no templo, até que se consumassem as sete pragas dos sete anjos”.

2.1 Eles saíram do Templo no Céu (Ap 15.5,6) – No presente texto, “o templo” que João viu se abrir” não foi na terra, mas no céu. O apóstolo contemplou o interior do “lugar” do testemunho de Deus. Os judeus criam que as coisas terrenas eram figuras das coisas celestiais (Hb 8.5; 9.23), de maneira que o templo terrestre era apenas uma cópia do celestial (Ap 3.12; 7.15; 11.19; 14.15). A grande lição que aprendemos aqui é que do templo procede a justiça e, sendo a igreja uma cópia do templo celeste, devemos estar prontos para combater a toda sorte de injustiças através de nossos agentes.

Em Ap 15.5, João olha e vê se abrir no céu, o templo do tabernáculo do testemunho. Esta linguagem traz em memória o Santo dos santos, onde no tabernáculo encontrava-se a Arca de Deus e em seu interior as tábuas da lei, as tábuas do testemunho no qual governo justo e moral de Deus é revelado. A abertura do templo do tabernáculo do testemunho neste momento indica o justo juízo de Deus sobre o mundo ímpio que amou mais as trevas do que a luz, e diante disto os sete anjos que tinham as sete pragas saem do templo de forma que nada mais poderá tardar o derramamento das sete taças da ira de Deus sobre a terra.

Sl 11.4-7: “O Senhor está no seu santo templo, o trono do Senhor está nos céus; os seus olhos estão atentos, e as suas pálpebras provam os filhos dos homens. O Senhor prova o justo; porém ao ímpio e ao que ama a violência odeia a sua alma. Sobre os ímpios fará chover laços, fogo, enxofre e vento tempestuoso; isto será a porção do seu copo. Porque o Senhor é justo, e ama a justiça; o seu rosto olha para os retos”.

2.2 Eles estão vestidos de linho puro – Observamos que os trajes dos anjos, no presente texto são semelhantes aos trajes de Cristo descritos no capítulo 1.13. Eles simbolizam a dignidade e o “elevado ofício”. O linho puro aponta para a justiça dos santos, roupagem que a noiva de Cristo vestirá (Ap 19.8). [...].

2.3 Peito cingido com cinto de ouro – Em Isaías 15.11 está escrito: “E a justiça será o cinto dos seus lombos”. Estas vestes e cintos só eram usados pelos sacerdotes e juízes da alta Corte. No caso dos anjos nesta seção, refere-se a função de “juízes” por eles desempenhada. Os sete magistrados da Suprema Corte estavam cingidos com cinto de ouro e a mesma coisa é dita acerca de Cristo (Ap 1.13). Eles eram uma comissão proveniente dos mais elevados céus. Seus trajes simbolizam poder, dignidade, retidão e verdade (Is 22.21; Ef 6.14).

Os trajes dos anjos semelhantes aos trajes de Cristo indicam o Senhorio de Cristo sobre os anjos que em tudo lhe obedecem, inclusive na execução dos juízos de Deus. Além disto, o linho branco indica a pureza e justiça de suas ações, já que o linho puro na Bíblia é símbolo de justiça. O fato dos anjos estarem cingidos com cintos de ouro pelo peito e não pela cintura indica que nenhuma intercessão poderá deter a ira de Deus sobre a impiedade dos homens. O cinto de ouro pelo peito fala do juízo de Deus, enquanto que o cinto de ouro na cintura fala da graça de Deus em função do ofício sacerdotal de Jesus Cristo no Santo dos santos. Em Ap 15.7, João observa que é um dos quatro animais que dá aos sete anjos as sete taças cheias da ira de Deus. Sendo os quatro animais, querubins representando a criação de Deus, esta entrega mostra os juízos de Deus também em resposta ao clamor de sua própria criação, pois conforme Paulo diz em Rm 8.20-22: “...a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua própria vontade, mas por causa do que a sujeitou, na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora”. O templo se enche “com a fumaça da gloria de Deus e do seu poder; e ninguém podia entrar no templo, até que se consumassem as sete pragas dos sete anjos” (Ap 15.8). Esta linguagem de Ap 15.8 indica, mais uma vez a impossibilidade de qualquer intercessão sacerdotal, conforme também compreende W. MacDonald (2008, p. 1011) de acordo com o seguinte comentário descrito abaixo:
                                       
“O ato de ninguém poder penetrar no santuário, enquanto não se cumprirem os sete flagelos significa que, agora, nenhuma intercessão sacerdotal poderá deter a ira de Deus”.

3. Os alvos das quatro primeiras taças No capítulo 16, à semelhança das pragas derramadas sobre o Egito, os sete anjos recebem ordem para despejar suas taças sobre a terra. Será o julgamento definitivo anunciado pela proclamação do Evangelho Eterno. Será também a última etapa do resgate do povo de Deus dos domínios do iníquo e da purificação do planeta. Um processo parecido com a colheita e o preparo do solo para um novo plantio. Depois virá o Milênio.

Ap 16.1: “E ouvi, vinda do templo, uma grande voz, que dizia aos sete anjos: Ide, e derramai sobre a terra as sete taças da ira de Deus”.

Em Ap 15.7, João viu quando um dos quatro animais deu aos sete anjos as sete taças de ouro cheias da ira de Deus. Os sete anjos, porém apesar de já estarem em todos os sentidos prontos para a execução, não podem tomar nenhuma atitude, enquanto não é emitida a ordem vinda do templo. Este fato é importante, pois revela a total supremacia e soberania de Deus sobre toda sua criação e desta forma nenhum acontecimento sobre a terra e todo universo pode ocorrer senão sob a permissão do Deus Todo-Poderoso.

3.1 O solo – O primeiro anjo despejará sua taça sobre a terra e atingirá todas as pessoas que trouxerem em seus corpos a marca da Besta. Os adoradores da Besta adoecerão de umas chagas malignas e dolorosas semelhantes a úlceras (Ap 16.2; Zc 14.12,13). Será o complemento da primeira trombeta (Ap 8.7), quando somente a vegetação foi atingida. Os servos de Deus nada sofrerão desta e das outras pragas, porque os que não tiverem morrido pelas mãos da Besta (Ap 13.7), gozarão de proteção especial do selo de Deus.

Ap 16.2: “E foi o primeiro, e derramou a sua taça sobre a terra, e fez-se uma chaga má e maligna nos homens que tinham o sinal da besta e que adoravam a sua imagem”.

Conforme foi visto no ponto 1.3, muitos salvos morrerão antes do derramamento das sete taças sendo estes assim poupados dos juízos vindouros das sete taças através da morte (ver Ap 14.13). Pode ser, porém que nem todos venham a morrer e desta forma, haverão ainda salvos vivos durante o período do derramamento das taças. A chaga má e maligna proveniente do derramamento da primeira taça, porém não os atinge, pois o texto de Ap 16.2 mostra esta atingindo somente aqueles que terão o sinal da besta e que estarão prestando adoração a sua imagem.

3.2 As águas – O segundo e o terceiro anjo derramarão as suas taças sobre as águas. O primeiro, no mar, ou seja, em todas as águas que separam os continentes. Morrerão todos os seres que habitam nas águas, que se tornará em sangue (Ap 16.3. A navegação se tornará impraticável. O segundo derramará sobre as águas potáveis que, feitas sangue serão dadas a beber aos assassinos dos santos e profetas (Ap 16.6). Estas duas pragas completam os julgamentos iniciados pelos toques da segunda e da terceira trombeta (Ap 8.8-11).

Ap 16.3-7: “E o segundo anjo derramou a sua taça no mar, que se tornou em sangue como de um morto, e morreu no mar toda a alma vivente. E o terceiro anjo derramou a sua taça nos rios e nas fontes das águas, e se tornaram em sangue. E ouvi o anjo das águas, que dizia: Justo és tu, ó Senhor, que és, e que eras, e santo és, porque julgaste estas coisas. Visto como derramaram o sangue dos santos e dos profetas, também tu lhes deste o sangue a beber; porque disto são merecedores. E ouvi outro do altar, que dizia: Na verdade, ó Senhor Deus Todo-Poderoso, verdadeiros e justos são os teus juízos”.

A segunda trombeta levou a terça parte do mar tornar-se em sangue, ocorrendo a morte da terça parte das criaturas no mar e perda da terça parte das naus. No derramamento da segunda taça o mar como um todo é atingido transformando a água em sangue e isto afeta toda alma vivente no mar. O toque da terceira trombeta afetou terça parte dos rios e fontes de águas tornando as águas amargas. No derramamento da terceira taça toda água nos rios e fontes se tornam em sangue. O derramamento da segunda e terceira taças deve provocar um desequilíbrio sobre a economia mundial por afetar a navegação, além de desencadear mau cheiro, sede, fome, seca, doenças e tantos outros flagelos em decorrência dos efeitos de morte no mar e em decorrência da falta de água potável. Os juízos de Deus são reconhecidos como justos pelo “anjo das águas”, que vê neles a justa retribuição de Deus àqueles que foram responsáveis pela morte dos santos e dos profetas. A voz ouvida por João “do altar”, onde os juízos de Deus são considerados justos, mostra que o clamor dos mártires debaixo do altar de Deus, desde a morte de Abel, é agora respondido por Deus, depois de um longo tempo onde a graça de Deus prevaleceu dando oportunidade aos homens para se arrependerem.

3.3 O sol – O quarto anjo despejará sua taça sobre o sol que emitirá muito mais calor do que o habitual (Ap 16.8). Essa praga é o fechamento dos juízos começados em Ap 8.12 e exibirá de uma vez por todas o caráter dos ímpios. Debaixo do excessivo calor solar blasfemarão de Deus (Ap 16.9). É o recrudescimento da criatura contra o Criador, que já foi mostrado em Apocalipse 9.20. Assim, vemos que quando o homem rejeita a graciosa salvação em Jesus, traça, ele mesmo o seu próprio destino: A primeira morte e a segunda (Ap 19.21), que é o lago de fogo (Ap 20.15).

Ap 16.8,9: “E o quarto anjo derramou a sua taça sobre o sol, e foi-lhe permitido que abrasasse os homens com fogo. E os homens foram abrasados com grandes calores, e blasfemaram o nome de Deus, que tem poder sobre estas pragas; e não se arrependeram para lhe darem glória”.

A quarta trombeta afetou terça parte do sol e da lua e das estrelas. No derramamento da quarta taça o sol parece ser afetado causando alterações no universo, de forma que os efeitos solares atingirão os homens em grande proporção. O sofrimento atingirá os homens, porém ao contrário do que muitos dizem, aqueles que não vieram a Deus pelo amor, não virão também pela dor, antes pelo contrário,  de forma arrogante blasfemarão o nome de Deus.

Referências Bibliográficas:
A. Gilberto, Daniel e Apocalipse – Compreendendo o Plano de Deus para Estes Últimos Dias, 2000, 16ª Ed., CPAD, Rio de Janeiro, RJ.
W. MacDonald, Comentário Bíblico Popular, 2008, Mundo Cristão, São Paulo, SP.
W. Malgo, Apocalipse de Jesus Cristo – Um Comentário para a Nossa Época, 2000, Obra Missionária Chamada da Meia Noite, Porto Alegre, RS.

3 comentários:

Suelen disse...

Sou professora da EBD, e confesso, que este material me ajudou muito mesmo, tendo em vista o quão complexo é o assunto!!
DEUS abençoe muito!!
Obrigada!!

António Jesus Batalha disse...

Suas mensagens são muito boas e vir a seu blog é uma benção.Dou-lhe os parabéns e continue nessa sua força trazendo a cada dia essas mensagens gratificantes de edificação, consolação e exortação. É este o alvo da nossa vida, incentivar a continuar a nossa caminhada pelas veredas da luz, com alegria falando das maravilhas do nosso Salvador. Que sua vida brilhe mais e mais a cada dia. Se desejar fazer parte de meus amigos virtuais é só clikar. Faça-o de forma a que possa seguir também seu blog. As minhas cordiais saúdações em Cristo Jesus.

Anônimo disse...

ola amada por gentileza estamos com duvida estamos te aconpanhando em todas as liçoes nao consegui enteder o pq da contagem de 7 anjos no capitulo 14 por favor nos ajude
aguardo rertorno agnaldoss@bol.com.As características destes sete em Ap 14.6-20, pelo menos em parte, não parecem apontar para os anjos das trombetas em Ap 8.2 br